Lúcifer


Muitos terão chegado a essa postagem e a descartarão, de antemão. Alguns, por falta de interesse ou preconceito; outros, por medo subsconsciente. Lembram de quando nos metiam medo, na adolescência, dizendo que a menina poderia engravidar através de um simples beijo na boca? Pois então, assim foi com o nome Lúcifer.

Mas, afinal, quem (ou o que) é Lúcifer? Será o rei dos diabos? Um anjo, uma força, um símbolo, um planeta? Vejamos abaixo.

Já postei, anteriormente, sobre como se deu a polêmica atribuição deste glorioso nome ao diabo cristão. Portanto, não é novidade que Lúcifer não cabe como nome do famigerado potentado das Trevas. Nem mesmo Satanás é o nome do Príncipe deste Mundo, já que este nome nada mais é que um substantivo qualificativo (ou seja, fala da função de “acusador” ou “opositor”), figurando na Bíblia hebraica, em várias passagens, como distintivo de seres humanos, não de seres malignos. (Na verdade, penso que o próprio Jeová seja o chefe, tanto dos anjos, quanto dos demônios.)

Hoje em dia, seitas ditas satanistas, ou que advogam o Caminho da Mão Esquerda, nada mais são que reproduções bisonhas da religião cristã, só que ao contrário. Rituais em latim, língua oficial da Igreja de Roma; cerimônias muito parecidas com a Missa católica (ao contrário); uso de grimórios de Magia escritos por papas; crenças judaico-cristãs na base da negação das mesmas, e muito mais, nos fazem crer que, se o Cristianismo for uma adulteração do Gnosticismo primitivo, o Satanismo e Luciferianismo, em sua maior parte, são os restolhos remendados daquele, em uso com perigosas práticas rituais.

Lúcifer traz a luz. Simples. Não traz nem ódio, nem Amor, pois a Luz pode iluminar e/ou cegar; aquecer e/ou queimar. A Luz é a base da subsistência de todo o Universo conhecido. Assim, Lúcifer realiza ideias que vieram de cima, aqui, onde a matéria é inerte e sem movimento.

sainte-foy_chapelle_des_pc3a9nitents_blancs_de_montpellier-_oculus_du_saint-esprit_symbole_de_la_confrc3a9rieLúcifer traz a luz, desde onde ela surgiu, a todas as instâncias e dimensões da Matrix. No plano Astral, ele é a própria substância inteligente à qual chamamos de Luz Astral,  Espírito Santo (que é fogo), o Arcano Mágico, o atanor sobre a cabeça do símbolo Baphomet. No plano Mental, ele é a própria Razão iluminadora, a fonte de toda a inspiração humana, a porta de onde surgem os raios da Criação. No plano búdico, ele é a própria Sabedoria (em hebr., Chokhmah). Ele é a própria Sophia.

Assim, se você pede paz a Lúcifer, todas as condições e elementos se aglutinam para que você fique em paz, desde que você cumpra a sua Palavra (pois “nenhuma palavra volta sem dar frutos”, ruins ou bons). Se você pede coisas ruins, para si ou outros, tudo lhe será posto para realizar aquilo que deseja, sabendo que deverá restituir ao Universo (e ao próximo) o que dele tiver solicitado, e responder por seus atos. Se você deseja saúde, tudo lhe será mostrado no sentido de alcançar a saúde. Se você quer se matar, logo uma corda cairá do apartamento acima do seu, direto em suas mãos.

Aqui, Jesus, o espírito luciférico mais elevado que nos foi enviado, nos confirmou o que eu disse acima:

“Pedi, e vos será concedido; buscai, e encontrareis; batei, e a porta será aberta para vós. (Mateus 7:7)

É óbvio que, aqui, ele não especifica se fala sobre coisas boas ou ruins, mas de qualquer coisa que se pede, com força, ao Universo. Assim, quando, também, ele nos diz que onde estivesse nosso Tesouro, ali também estaria nosso Coração (Mt 6:21), ele destaca que a nossa Verdadeira Vontade é o sentido de nossa Vida, e isso valeu tanto para Hitler, para Francisco de Assis, quanto vale para cada um de nós.

Certamente, o fogo transforma tudo quanto por ele passa. Ele, literalmente, renova todas as coisas. E, nesse entendimento particular, traço um paralelo entre o que os cristãos chamam de Espírito Santo e Lúcifer. Há tempo para tudo encima da terra (Ecl 3:1), tanto para o que nos agrada, quanto para o que nos desagrada. A Vida não nos é dada para que seja boa, mas útil. O Bem não é o que nos afaga a Alma, mas o que é emergente e não pode ser detido. É a isso que comparo a expressão Vontade Divina. A Luz chega aonde ela se faz necessária, independente se os seres tenham, ou não, olhos para ver (Mt 13:9).

Lúcifer não é um ser, uma qualquer entidade angélica caída deformada, na qual se fiam os detratores do Cristianismo. Estes adocicaram a imagem de um deus sanguinário da Mesopotâmia e o transformaram em “pai misericordioso e fiel”. E, os que se opunham aos cristãos, criaram uma paródia sacrílega para Samael, subordinado a Jeová Sabaoth e demônio cego, indo atrás justamente do que dizia Jerônimo, quando o chamou Lúcifer.

Muitas passagens no Novo Testamento cristão dão conta de que o título Lúcifer (“aquele que porta a Luz”) é atribuído ao Arquétipo, cujo maior representante, neste Mundo, foi Yeshua, o Nazareno (2 Pd 1:19; Ap 22:16). Esse Arquétipo iluminador e iniciador, purificador e justificador, traz equilíbrio aos seres, pelos processos de catarse e ajuste. Ele desfaz a ilusão e traz o conhecimento verdadeiro (não o conhecimento esteŕil, que endurece, mas o que busca a libertação dos que jazem na lama da matéria). Sidharta Gautama foi um dos outros exemplos de manifestação deste Segredo, mais um dos precursores da Era de Aquário, onde o jugo seria despedaçado e cada um seria lançado ao fogo.

Publicado por

Júlio [Ebrael]

Brazilian. Amateur poet. Conservative and Gnostic Christian. // Brasileiro. Poeta amador. Conservador e cristão de visão gnóstica. //

6 comentários em “Lúcifer”

      1. “Como surgiu a palavra Lúcifer?” Lúcifer, do latim “lúcifer”, vem do hebraico “hêlêl”, e significa brilhante, esplendoroso, e tem sido traduzido por por­tador de luz, o que leva o archote, filho da alva, estrela da manhã. É o nome que os latinos davam ao planeta Vênus, que tam­bém chamavam “estrela da alva”, “estrela da manhã”, “estrela vespertina”, por ser o mais brilhante astro (depois do Sol e da Lua) que, à nossa vista, aparece na abóboda celeste. O profeta Isaías aplicou esse termo ao rei da Babilônia, certamente pela grandeza e esplendor em que vivia o mo­narca, do que é exemplo a suntuosa obra “Os jardins suspensos da Babilônia” -uma das sete maravilhas do Mundo Anti­go. Essa palavra aparece no Velho Testa­mento, em Isaías 14.12. Na Bíblia traduzida ao português na forma latina: “Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?” Isaías também apresentou o rei da Babilônia, que se considerava um deus, como inimigo de Deus: “E tu que dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei… subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”, w.13,14. Por esse motivo, pelo desafio à autoridade de Deus, pela pretendida usurpação, foi sendo, pelos comentadores das Escrituras, gradativamente, aplicado o nome “Lúcifer” a Satanás, que também lhe assentava, visto que fora “anjo de luz” e “querubim ungido”, Ez 28.13-15.

        Extraído do livro “A Bíblia Responde” da Editora CPAD

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      2. Helel tá na origem de halel = louvável, destacado. Não tem a ver com brilho no sentido literal (reluzente, como o é o planeta Vênus).

        Lúcifer é o epíteto poético dado pelos romanos ao planeta Vênus, enquanto o mesmo planeta era chamado Nogah pelos hebreus.

        Ou seja, não há nenhum ser na mitologia judaica que possa ser sequer apelidado de Lúcifer, nem comparativamente. O que chamam Satanás, no Ocidente, é dito Samael (anjo de Yehovah) na Cabala, jamais Lúcifer.

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