Dilectis Amicis (Aos queridos Amigos)


Já fui amigo de pedras, que me alertaram para prestar atenção ao Caminho, ao invés de me afligir pelo Tempo. Já fui amigo de postes, nos quais dei com as fuças, para aprender a olhar para a frente, não esquecendo que o Passado, simplesmente, se foi. Hoje, vejo que tudo é meu Amigo se, e somente se, me reconcilio com todas as coisas.

Não obstante trave minhas guerras tolas, diariamente, com os seres e objetos que emulem minhas frustrações, sei que ninguém pode viver em luta a vida inteira, consigo e com o que lhe rodeia. Todos nós dependemos uns dos outros, inclusive de outros objetos. Somos membros de um bando de sete bilhões de seres semelhantes, que se estranham e disputam migalhas de pão e um pouco de atenção. Não, ninguém consegue viver feliz sozinho. Ou melhor, em guerra, sempre, consigo mesmo.

Nesse vaivém diário, a surpresa da Amizade vêm-nos sorrateira, da mão de um mendigo que aponta o melhor caminho para algum lugar ou, quem sabe, do ricaço que nos oferece uma carona ao hospital, no meio da noite. Podemos ser o pobre que faz amizade com o governador do Estado, seu vizinho; ou, o rico que é defendido por um pedinte dos bandidos com os quais convive, em meio a lugar nenhum.

Os laços fraternos independem da continuidade física, presencial, ou da quantidade de dias dedicados ou favores prestados. A vida, em si, finda, um dia. Os dias findam e, a vida continua, pois o por-do-sol, ao meu ver, é o momento mais lindo e profundo de nossas jornadas. Ao amigo, não é necessário trazer dinheiro ou um quilo a mais de alcatra para o almoço. A esse enviado do Destino, basta trazer-nos uma boa notícia, ou a solidariedade, quando a dor nos visita. Dos queridos, quero a sinceridade e o braço, a lágrima e o abraço, ou o sorriso sem graça.

Há aqueles amigos que ficam e aqueles que sempre estiveram ali, desde que notamo-nos como gente. Há pessoas que, quando mal percebemos, já dormem ao nosso lado por anos a fio, enquanto outros não o quiseram. Aos primeiros, recomendo a paciência dos fortes e a boa vontade. Aos segundos, desejo sorte. Aos demais, dedico os anos que passam, e que passaram, aqui, nesse caderno de notas publicadas. Às almas diletas e queridas, conhecidas e anônimas, dedico essa lembrança. Logo, não se sabe onde ou quando, espero poder ser bem lembrado, em meus raros atos úteis, por vocês.

***

BRASA

Levo embora, comigo,
Uma brasa no peito.
A você, meu amigo,
Que me veja no leito;

Um abraço sincero,
Saiba, é o que quero.
Que leias e sintas:
De Amor, minhas tintas.

 

20180819_1109491361300047

Uma resposta para “Dilectis Amicis (Aos queridos Amigos)”

Escreva abaixo seu comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.