A Vontade e a Plenitude da Lei


O Livro da Lei, originalmente intitulado Liber AL vel Legis, de autoria do mago ocultista Aleister Crowley, é um dos mais polêmicos dos últimos cem anos. Ele faz declarações, supostamente inspiradas, que poderiam ser interpretadas de várias formas. A despeito das controvérsias, a Lei de Thelema, promulgada neste livro, continua a ser um símbolo para a chamada Nova Era de Aquário.

Os leitores deste espaço sabem que sou crítico desconfiado dos sistemas maçônicos, tanto por seus meios quanto por seus fins. No entanto, não posso me furtar, por temor de parecer contraditório, de elogiar o conteúdo do Livro da Lei. Há alguns anos atrás, ao ter contato, pela primeira vez, com sua mensagem, vi nela apenas um amontoado de delírios anárquicos, ainda mais tendo em vista a má fama de depravação de seu autor, Aleister Crowley. Eu não poderia estar mais errado, ao menos quanto à mensagem de seu Liber Legis.

Entre muitos axiomas famosos da Lei, destaco o mais célebre:

Do what thou wilt shall be the whole of the Law.

Faça o que tu queres há de ser o Todo da Lei.

A despeito das muitas traduções alternativas dadas a esta sentença, permaneço com a constante acima. À primeira vista, nos parece que Crowley diz para que as pessoas façam qualquer coisa que queiram, a qualquer momento, pois essa seria a “lei”. Na verdade, ele quer dizer justamente o contrário. A plenitude da Lei é o cumprimento da verdadeira Vontade pessoal. E que verdadeira Vontade é esta?

O que as religiões comumente chamam de demônios são os desejos exteriores que se instalam como “vasos” pleiteando supremacia dentro de cada um. Por isso é que, se a pessoa não sabe o que realmente quer, todo e qualquer desejo, quando satisfeito, gera mais ansiedade e insatisfação. A isso, chamamos vício: quanto mais plenos daquilo, mais nos sobrevém o vazio e o desespero. Disso decorre o desânimo, pelo esgotamento de nossas energias, seguido pela depressão e o desgosto.

Tu não tens direito senão de fazer a tua Vontade.

Fazei isso, e nenhum outro te dirá ‘não’.

Pois, pura vontade, desaliviada de propósito, livre da ânsia de resultado, é todo caminho perfeito.

(Liber Al vel Legis, cap. I, 42 – 44)

Quando, em algumas obras modernas, diz-se que testemunhamos, atualmente, o retorno dos reprimidos, fala-se da proliferação de desejos estéreis, oferecidos pela modernidade, ao homem presente, sendo aqueles os únicos meios de anestesiá-lo em seu vazio existencial. Novamente: a plenitude da Lei, o caminho perfeito da Estrela que há em nós, implica em cumprir a nossa Verdadeira Vontade. Sendo cada um daqueles desejos como que reflexos distorcidos da Divindade, a rejeição deles como desejos menos importantes, em meio às suas tentações, nos fará chegar a conhecer essa Vontade, que é Thelema.

Quando reunirmos todos aquelas sombras reprimidas, desejos que agem como demônios em luta por nossa Alma, em torno de nossa Verdadeira Vontade, então veremos que esta é a força emergente à qual nada pode resistir, a verdadeira Vontade de Deus. Então, o ser humano, conhecendo esta sua Vontade, pelejará ao lado de suas sombras não mais como inimigo delas, mas, com elas, como um só ser, íntegro em sua essência, senhor de seu Caminho.

Por fim, indico abaixo dois vídeos que explanam, de forma cabal, o que representa o Livro da Lei:

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