Um pouco mais além


Um nome representa seu portador para sempre e identifica o personagem que manifestamos publicamente. Por outro lado, um pseudônimo retrata uma fase da vida de quem o utiliza, transmitindo ideias e emoções inerentes àquele período. E só.

Assim foi com o Ebrael, bem como com o Dies Irae, anterior. Representava uma promessa. Ela se cumpriu? Seu portador realizou o que seu Destino lhe reservava? Eu, Júlio, posso dizer que sim, tudo aquilo ao que me propus, com seus prêmios e reveses, lições e traumas, foi realizado.

Mas, nada é eterno, muito menos um pseudônimo o seria. O julgamento da obra que o acompanha, útil ou não, ficará, quiçá, reservado à posteridade.

Quando enfrentarei meu julgamento diante do Justo Juiz? Não sei, prefiro não saber. É tempo, pois, de encerrar esse período, essa saga encarnada por este distintivo, que continha a triplicidade da minha Fé, a assinatura do Anjo que me fulminou, em uma noite, declarando que, a partir de então, eu seria sua Semente.

Sigamos, portanto, e vejamos o que Deus reserva a este seu servo inútil. Reparação, trabalho; cruz e padecimentos. Quem sabe?

De meu Coração cheio de tesouros vãos, tímidas certezas emergem: é preciso buscar no Horizonte o ponto aonde chegar, ainda que, em vão, eu espere pelo cheiro da chuva; é imperativo sair da caverna, que só à noite se revela; é triste viver em meio a metáforas surdas, quando a Vida grita, clara e certa, ao meu redor.

Eu gostaria de ficar aqui, Ebrael, com você e todos os seus projetos mirabolantes e pouco práticos. Não me importaria de aguardar, pela vida toda, aquele Anjo de pé, mas acho que ele me espera no fim. O Caminho está aí e Deus está comigo em tudo quanto faço, eu sei. É aqui que você fica. Segue o Júlio, com a vida real, deveres, sua Fé e um destino a cumprir. E, depois, o que será dele?

Ele deve viver e pedir que Deus fortifique sua Fé, lhe dê paciência para esperar a colheita e para amar, amar de verdade. Para amar, viver, esperar o Bem, ele precisa ir um pouco mais além.


Arte da capa: Pilgrims on Via Appia (Oswald Achenbach), óleo sobre tela, 90 x 136 cm. Vista em The Athenaeum, em 13 de março de 2020.

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