Celestina, a futura República ao Sul do Brasil


Em 1992, um novo movimento independentista foi criado, a exemplos de dezenas de outros pelo mundo a fora. No Brasil, é um dos que pleiteiam a secessão de partes do território brasileiro para a formação de novos países. Se, pela letra da Constituição, tais proposições são ilegais, há fartos motivos para pensar que, ao contrário, são mais legítimos do que parecem.

Nesta postagem, proponho, ao movimento Sul é o meu País, alternativas que poderiam ajudar a dar forma consistente ao país nascente e inspirar mais respeito pelo ideal aos olhos da mídia e dos políticos.

Movimento independentista

Estamos acostumados com a ideia de país, como o Brasil, íntegro e unido. Saibam todos que nem sempre foi assim. E, se as fronteiras e as instituições mudam, de tempos em tempos, pela vontade de elites ou, mesmo raramente, pela ação dos povos, por que nos agarrarmos a propagandas institucionais, se a família humana é uma só?

Se alguns têm a audácia de propor um único Governo Mundial; se outros tantos defendem que sigamos leis internacionais, não votadas pelos povos locais, por que diabos os povos locais não teriam direito à autodeterminação? A resposta é cristalina: a manutenção e/ou mudança de poder devem, para certas elites, servir a seus interesses privados ou de alguns grupos, apenas.

Nova República ao Sul do Brasil

Não deveríamos nos deter, por muito tempo, a darmos as razões que nos levam a propor a secessão dos estados do Sul para a formação um novo país, a exemplo do que já fazem o Movimento São Paulo Independente e outros mais dentro do atual território brasileiro. Basta o desejo de autodeterminação. Mas, alguns motivos podem ser dados aos questionadores, a saber:

  • Sistema federativo falho, em que Brasília concentra poder político e volume de impostos em demasia, não provendo serviços na mesma proporção dos impostos que extrai do Povo;
  • Representatividade popular inócua, a nível federal, estadual e municipal;
  • Pobreza e desigualdade sociais crescentes, não obstante seu potencial econômico e parques industriais instalados, em parte por conta do sequestro de recursos de impostos pela União;
  • Identidade cultural distinta, e essa considerando já a multiculturalidade e miscigenação das regiões sulistas.

Argumentos contrários

A mídia, quase que em peso e, ao que parece, representando interesses políticos de algumas oligarquias, sempre desprezou como ridículas as propostas independentistas de movimentos, como as do Sul é meu País. Quando não com chacotas, tratou o assunto remetendo as mesmas ideias liberais como ilegais, como se o Sul não lhes tivesse sido, quando conveniente e desde o século XVIII, como pretextos para romper com a integridade do Império. E, acreditem, pelos mesmos motivos que hoje têm em conta de ilícitos.

Os opositores da ideia dão de ombros, tentando argumentar, dizendo que este momento deveria ser de união dos brasileiros, não de separação em estados fragmentados. Alegam que isto exporia os novos Estados independentes a um domínio ainda maior por parte das potências estrangeiras. Ora, nada impede que tais novos países tecessem alianças estratégicas regionais, tanto para cooperarem economicamente, quanto militarmente, bem como em outras áreas.

Os estados do Brasil, com o sistema federativo vigente, têm apenas dois caminhos: continuar a se submeter, caninamente, a Brasília; ou separar-se e tomar as rédeas de seus próprios destinos, com sistemas político-econômicos próprios a cada novo país.

Antecedentes e contradições

Nem sempre o Brasil foi um país coeso. Até o início do século XX, várias revoltas, fossem populares ou elitistas, pleitearam a secessão de partes do Brasil. Quem ousa dizer que os motivos dos revoltosos não eram justos?

Revolução Farroupilha, República Juliana, Sabinada, Confederação do Equador, Sabinada, etc. Todas elas buscavam a separação de alguns territórios do Poder Central. Devemos lembrar que o Brasil também incorporou territórios de outros países. Roraima e Acre são exemplos mais do que conhecidos desse expansionismo.

Identidade cultural distinta e motivos econômicos são mais do que suficientes para que a população de uma região pleiteie autodeterminação e independência em relação a outro país. Não podemos esquecer que o Brasil é signatário de um tratado que defende a autodeterminação dos povos, mesmo que sua Constituição proíba, convenientemente, proposições de independência de partes de seus territórios.

Propostas para a nova República

A despeito das ideias avançadas e liberais do Movimento Sul é o meu País, devo alertar que alguns detalhes importantes deveriam ter sido definidos. Tais detalhes expõem o Movimento ao deboche de seus opositores e ao descrédito do Povo. Se o Poder emana do Povo, é o Povo que deve ser conquistado para a causa, com força tal que coloque em discussão séria a nossa independência.

Para o novo nome único da República, ao invés de rótulos genéricos e temporários (Sul do Brasil, Brasil do Sul, Pampas do Sul, etc.), sugiro que votem um nome definitivo, representativo, estrategicamente planejado. Sugiro Celestina, tendo em vista os símbolos nacionais (bandeira e último verso do Hino, este que poderia ser corrigido). Tem de ser um nome que abrace a todos e esteja sobre todos, que represente a ideia do Sul e evoque a noção de liberdade, de clima temperado, que possa ser lembrado pela bandeira e pelo Hino Nacional. Para o nome oficial, consequentemente, proponho República Celestina ou Federação Celestina.

Hino Nacional: Um Grito ao Sul do Mundo.

ra a Capital, o Movimento sugere a cidade de Lages. Fica patente que a escolheram por estar no centro do território e por não querem dar vazão a disputas entre as três capitais do Sul. Discordo dessa visão. Sugiro, para Capital administrativa, uma metrópole que possa servir de propaganda e inspirar progresso, organização, planejamento urbanístico e respeito à Natureza. Em vista de tudo isso, sugiro Curitiba. (Quero deixar claro que não sou paranaense, mas que considero esta opção a mais razoável para expressar a grandeza que o Mundo espera de nós.)

Para o sistema de governo, político e administrativo, concordo plenamente com alguns expoentes do Movimento, como o professor Celso Deucher. O parlamentarismo é o mais democrático dos sistemas, mas à moda sueca: parlamentares voluntários, eleitos diretamente, sem salários, que vivam às suas próprias custas e com subsídios mínimos. Economia descentralizada, distribuição racional dos impostos, autonomia aos municípios (sistema municipalista).

Para a divisão territorial, sugiro três estados autônomos, subdivididos em regiões administrativas e municípios autônomos. Limites constitucionais estritos à faculdade de intervenção militar do Poder Central.

A moeda, ao invés do pila proposto, que traz a ideia de algo de pouco valor (segundo a gíria sulista), poderia ser, simplesmente, o Real Celestino (CLR, CR$). Nada de invenções exóticas!

Banco Central autônomo, mas sob fiscalização dos parlamentos nacional e locais. No entanto, seria interessante que nos antecipássemos aos avanços da tecnologia e concedêssemos maior flexibilidade ao uso de meios de pagamento em moeda, facilitando o uso de criptomoedas seguras e as contas com saldo em moedas estrangeiras.

Considerações finais

Aos críticos, que, de forma caluniosa, generalizam ao dizer que sulistas são nazistas natos, racistas, digo que, entre os que defendem a independência do Sul do Brasil, há pessoas de todos os espectros políticos, de liberais a socialistas, de conservadores a libertários.

Também, convém declarar que o Movimento Sul é o meu País é, sim, um grupo ordeiro e pacífico que, pela vias legais e por aclamação do Povo, unido, pleiteia o legítimo direito à autodeterminação, já que a liberdade de associação deve ser ampla e irrestrita, inclusive em unidades políticas de sua preferência.

Limites administrativos sempre foram, são e continuarão a ser linhas imaginárias que devem representar a Vontade soberana dos povos. Subversiva, sim, é a ideia do Movimento. Mas, qual ideia de liberdade não traz, em si, o germe da subversão?

Não confundamos subversão (que é mudança que vem da base, operada pelos oprimidos) com perversão (que é o estabelecimento do caos como política de comportamento). Não tomemos libertação com instinto de destruição.

Por Júlio [Ebrael]

Blogger, amateur writter, father of one. Originally Catholic, always Gnostic. Upwards to the Light, yet unclean. // Port.: Blogueiro, poeta amador, pai. Católico, casado. A caminho da Luz, mas sujo de lama.

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