O Louco e o Aprendiz


Simples, síntese da poesia, extremamente impactante e única: assim é a lâmina de O Louco no Tarô de Marselha, a mais tradicional versão do livro de Hermes.

Para além de ser o coringa da Jornada do Herói, ela também evoca a ideia primeva de Deus e se coaduna com os significados da Iniciação ao Grau de Aprendiz nos ritos maçônicos. Ao menos, foi a essa conclusão que chegou minha inspiração.

Vens comigo nessa jornada? 😉

Entre o Sagrado e o Profano

Em meus estudos, não apenas astrológicos, mas também herméticos, sempre preferi a abordagem mais mística e abstrata do que a mundana. Até porque, para se fazer uma abordagem mundana acertada, deve-se partir dos significados arquetípicos puros, pois, segundo Hermes, o que está encima é como o que está embaixo, o que está embaixo é como o que está encima.

Assim, prefiro, em minhas leituras privadas do Tarô, me basear no que os mestres da Tradição nos legaram, ao invés de me perder em mil achismos dos tarólogos do Youtube.

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Compreensão rasa

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses, aconselhava, à porta, os guardiões do Templo de Delfos, dedicado a Apolo. E os tarólogos de hoje continuam a aplicar clichês ao mais importante arcano dentre os Maiores. Inconsciência, imaturidade, irresponsabilidade. Dizem que todas as cartas têm sua sombra, sem se darem conta que aspectos convergem na Unidade subjetiva. Arcanos são caminhos, etapas de uma jornada, não produtos em um freezer de supermercado.

O Tarô leva ao autoconhecimento que, segundo o conselho de Delfos, é congruente à conhecimento de Deus. Por isso, o Louco nos mostra que, assim como Deus conheceu a si mesmo e tudo criou, também nós podemos fazer o mesmo.

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O Louco e o Aprendiz

Meditando sobre o desenho do arcano do Louco, segundo o Tarô tradicional, é impossível não notar as semelhanças com a forma como se apresenta o profano à Loja maçônica, no ato de sua Iniciação.

O olhar inconsciente do Louco se coaduna à venda nos olhos do neófito, mostrando que ambos partem rumo ao Desconhecido; a calça rasgada do Louco, pelo cão auxiliador, na perna direita, é idêntica à do neófito, identificando que ele deixará sua altivez de lado para servir a causas maiores, ainda ignoradas; o cajado solto do Louco se liga à mão invisível do ajudador do neófito em sua perambulação pelas colunas do Templo.

O Louco e Deus

Tradicionalmente, ao Louco não é atribuído valor numérico na sequência dos vinte e dois Arcanos Maiores. Prefiro, como outros, atribuir-lhe o valor zero (0) que, para mim, é o valor da concepção de Divindade. Do Nada, Ele criou tudo, exatamente como explico em O Zero e Deus.

Na escuridão, fez brilhar a Luz que vinha de Sophia. Quando percebeu-se só, por si, fez expandir o espaço vazio em torno de si em coisas vivas e ordenou todas as coisas. No Caminho do Louco, o Espaço-Tempo. No Caminho de Deus, o conhecimento de sua própria Essência. Da Inconsciência e no Caos, uma Vontade de preenchimento e doação. Pelo Louco e em Deus, a noção de que Bem e Mal, como polos opostos, não passam de uma ilusão, tola e volátil.

Deus e o Aprendiz

Eu seria queimado como herege, na Idade Média, ou cancelado por todos, nas redes sociais, se me atrevesse a dizer o que vou dizer. O Aprendiz é o Criador, o Demiurgo e Grande Arquiteto do Universo em um simples corpo animado.

Ele encena todo o drama cósmico do Filho da Sabedoria (ou seja, de Sophia) que, das Trevas, se atreve a conhecer a si mesmo. Tudo o que ele vê em torno de si, na Loja, são projeções de si mesmo.

Para Ele (o Eterno), “não há Deus além dele”, assim como, para o homem, não há ser algum dentro dele além dele mesmo. O Aprendiz mimetiza a criação dos elementos pela perambulação em Loja, o reconhecimento e a forja das letras do Santo Nome de Deus. Só, ele existe em si. Fora de si, volta a se encontrar consigo mesmo nas projeções de si em seus irmãos.

Por isso, assim como todo Mestre já foi Aprendiz, não há Loja sem Aprendiz; não há Universo sem um Arquiteto.


Por Júlio [Ebrael]

Blogger, amateur writter, father of one. Originally Catholic, always Gnostic. Upwards to the Light, yet unclean. // Port.: Blogueiro, poeta amador, pai. Católico, casado. A caminho da Luz, mas sujo de lama.

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