Notas de Outono


Tendo já esgotado o pobre arsenal de ideias a serem expostas em uma curta Vida, tal a minha, rumino tudo aquilo que não fora, ainda, digerido.

Especialmente neste Outono, mais que nos anteriores, noto que:

  • O balanço cessou seu vai-vém;
  • O olfato é incapaz de sentir o cheiro da chuva;
  • O Sol anda meio preguiçoso, quase com medo de aparecer;
  • Os aeroportos se tornaram em deserto;
  • Os cartazes sumiram das multidões em compasso de espera;
  • As pessoas se perderam pelas ruas e sentiram o peso da dura eleição;
  • Os arco-íris se tornaram ainda mais raros e, por vezes, vazios de sentido;
  • As linhas do tempo marcam mais os rostos do que o cerol corta pipas.

O Tempo é o bem mais precioso e o único recurso realmente não renovável, escasso, do Universo. Tudo que deriva do Tempo é escasso. Nada que acontece pode, de fato, ser replicado. E essa é, de fato, a verdadeira fonte de angústia do ser humano.

Afinal, a pergunta que nos fustiga: somos agentes ou consequências do Tempo? Causas ou efeitos do Fluxo da Vida?

Quando eu digo que ni Navur’v raǵa ma – em Deus, eu espero – quero significar que, já há muito, espero apenas n’Ele, a Fonte de toda a Vida, que encaminhe minha Alma para seu ponto final de forma calma. Tudo que eu poderia esperar da Vida – cheiro da chuva, balanço do jardim -, tais quais bucólicas fantasias de outrora, ficaram pelo caminho, tendo se tornado resquícios empoeirados de um Coração frágil, qual baú de pedidos não correspondidos.

Sim, eu sei, tudo o que vos escrevi acima pode parecer meio enigmático. Mas, num surto de pleonasmo outonal, digo que entendedores entenderão, ou não.

Em meu idioma (griomiano), aquele que meu ócio criou em meio à pandemia, de uso particular, exclamo:

Ни Навурв, ражаь ма. Ни зажэв, коь ма ай Да.
Tин, думиь Да ай aвaвмоь чламиь Да, бэргавмоь хургиь Да дpэчэвдоь.
Мaв фниь Да хapнэ, kоь тaзи aкев aн чpyмaь мa.

Ni Navur’v, radja’m; ni zedjev, kó ma ay Da.
Tin, dumí’d, ay avavmó shlamí’d, bergavmó hurghí’d dréshevdó.
Mi fní’d harne, kó tadzi ákyev an shruma’m.

“Em meu Deus, eu espero. No Caminho, só eu e Tu.
Então, venha, e aquiete minha Alma, faça meu Coração ouvir Tua voz.
Chame-me para perto, só assim eu não me sinto só.”


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Por Júlio [Ebrael]

Blogger, amateur writter, father of one. Originally Catholic, always Gnostic. Upwards to the Light, yet unclean. // Port.: Blogueiro, poeta amador, pai. Católico, casado. A caminho da Luz, mas sujo de lama.

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