De repente, bateu uma saudade de meu pai


Eu estava ainda agora fuçando no Youtube por clipes de músicas que eu sempre gostei. Me surgiu à mente a canção Pai, do Fábio Jr., que sempre me emocionou.
O sentimento de saudade e amor aos pais é diferente em nuances do amor às nossas mães, mas não menos marcante. Não está somente no sangue, está na personalidade inteira, no coração. Meu pai está não muito longe daqui, a uns 80 km, mais ou menos, em Balneário Camboriú. Mesmo que estivesse a menos de 1 km, nós sentiríamos saudades de qualquer jeito, pois sentimos saudades não somente da presença no espaço, mas no tempo, nos tempos de infância, nos tempos de abraços mais frequentes, menos formais, inclusive.

A saudade fica mais forte quando percebemos o quanto de nós está contido naquela figura amadurecida pela vida e por suas lições, o quanto de nossos erros e acertos já foram perpetrados por eles, antes mesmo que fôssemos meros espermatozóides e óvulos, o quanto de nosso sorriso, de nossos cacoetes e bordões têm sua origem em cada um de nossos pais…
Há alguns meses apenas que o vi pela última vez, por um pouco mais de uma hora. Estivemos eu, meu pai e meu filho, juntos, por pouco mais de uma hora. Hoje em dia, não esperamos mais por uma bicicleta ou outro presente ansiosamente, mas por um abraço e aquelas palavras que costumávamos escutar deles, até com uma certa indiferença, quando éramos crianças, tais como: “Deus te abençoe, filho”, “obedece tua mãe”,  “quer fazer um lanche??”,  “o pai te ama!!”… coisas essas que hoje repito a meu filho!!

A poesia que compus no último dia dos Pais, não a fiz pensando só em meu filho, mas no que meu pai diria sobre os Pais:

Ser Pai…
É conduzir com segurança, ainda que encima de uma corda-bamba.
É ser corajoso, ainda que o coração espasme de medo.
É a palavra de autoridade, falada ao ouvido, ecoando no coração durante décadas, tal como um dogma.

Vou dormir tranquilo agora, pois que a lembrança de meu pai é algo que me conforta, me certificando que, apesar das minhas mazelas, sou capaz, e muito, de carregar amor no coração, e manter vivas as Memórias que fazem as pessoas realmente felizes: as da família!!

Pai (Fábio Jr.)

Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais,
Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez…
Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta,
Longos anos em busca de paz….
Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer…
Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e nao vou ficar mudo
Pra falar de amor pra você!!
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa.
Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver.
Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu.
Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só reencostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho,
No tapete da sala de estar.
Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo.
Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho

Que hoje eu sigo em paz!!

Saudades da minha infância


Pode até parecer que não cresci ainda, estando eu para completar 29 anos encima da terra. Mas não renego meu instinto saudosista: como muitas coisas da minha infância, que foi ótima, graças a Deus e minha mãe, sinto muitas saudades dos desenhos que eu assitia. Através deles, de certa forma, aprendemos a conhecer a vida, e nos damos conta dos assuntos sérios do mundo lá fora por uma linguagem como que lúdica, suave.

Creio que muitas pessoas que assistirem esses vídeos vão lembrar deles, de alguns ao menos.

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Mataram meu gato!!


Esse é, verdadeiramente, um dies irae, um Dia de Ira. Triste também, mas sobretudo revoltante. De onde surge um ser, que se diz pensante, e mata, covardemente, um ser indefeso, um gato que não fazia mal a ninguém. Se ele mata um ser inocente, o que diria ele que fizéssemos a um ser culpado como ele??

Mataram meu gato!! Envenenaram meu gato!! Acordei, e lá estava ele, imóvel. Nessas horas, vejo que, mesmo que perdoássemos tais elementos, eles não seriam dignos de tal indulgência. Quem deveria estar morto era o covarde que fez isso, e não a pobre criatura, que não pedia mais do que água, comida e um lugar para dormir. É o terceiro gato que perco envenenado aqui, onde eu moro. Mas eu vou descobrir, e quando eu descobrir… ah! quando eu descobrir!!

Nessas horas é que duvido que o perdão valha de algo!! Pois o que está feito, está feito. Há que haver reparação!! Se não houver, esse filho-da-puta vai ficar me devendo essa conta. Aceitar tudo pacientemente, dar a outra face ao tápa ignóbil é contra a natureza humana. Hoje, isso é inaceitável. Acredito que, sim, a Justiça de Deus é inexorável. Mas que somos nós que, às vezes, sem querer, agimos como vetores da Cobrança Cármica?? Somos, ao mesmo tempo, credores e devedores. Deus não têm um anjo para cada dívida a ser cobrada, para retribuir cada ato mal.

Os gatos, assim como todos os animais, têm espíritos da natureza que os protegem, e concentram suas alminhas quando falecem. O covarde filho-da-puta, que assassinou meu gato, também, com certeza, terá um espírito competente para dar conta da alma dele, quem sabe num futuro não muito distante.

Morro do Cambirela: mais de 1.000 metros acima do nível da rotina



Sou uma pessoa que habitualmente não curte a rotina, a estabilidade, mas que ao menos admite que ela é necessária para que não voemos para a Lua das fantasias e devaneios. E o mais disso tudo: para comer e responder por aquilo que assumimos na vida. Se eu, por acaso, não fosse casado, hoje estaria trabalhando em viagens de algum tipo.

Eu ainda tinha 15 anos,quando decidi ir, com um grupo de colegas, escalar o Morro do Cambirela, nos encontrand de madrugada, às 5h da manhã. Estava com uma namorada, a qual me arrependi de ter levado comigo, pois só reclamou de cansaço (do que ela foi avisada) e tive de levar a maior parte da bagagem de nós dois (a dela somava mais 70% do peso, vai entender!!).

O Morro do Cambirela é o ponto mais alto do litoral catarinense, e localiza-se na zona de transição entre a Serra do Mar e a Serra Geral, abrigando parte do que restou da Mata Atlântica em Santa Catarina. Está no território de Palhoça, minha cidade, e dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, área de Proteção Permanente. Alcança 1.043metros de altitude em seu pico mais alto. Lá de cima, dá de vislumbrarmos toda a Ilha de Santa Catarina (Florianópolis) e boa parte do litoral catarinense. Cambirela é uma palavra indígena, que significa “dois seios” , pela sua semelhança aos contornos.
Chegamos, enfim, exaustos e estressados com as reclamações por cansaço de quem insistiu para subir por vaidade. Comemos, nos hidratamos. À noite, acendemos uma tradicional fogueira e bebemos, ao som de um violão. Dormimos amontoados nas barracas coletivas, que se tornaram pequenas. Começou a chover. Passamos um frio danado. No dia seguinte, na descida, quase nos perdemos, pois escolhemos um caminho que talvez estivesse mais transitável, menos cheio de lama. Acabamos voltando `trilha que usamos para subir. Não tinha jeito: tivemos que sentar com a bunda no chão e ir deslizando trilha abaixo!!
Olhando para leste, vista geral da Ilha de Santa Catarina. Na parte de baixo, o litoral de Palhoça.

Depois de 4h de descida (demoramos mais pelo cansaço e pelas más condições da trilha), chegamos em casa, imundos, enlameados, Só me dei conta que teria de inventar uma desculpa para minha mãe uns 500 metros antes de chegar em casa. Disse parte da verdade: que fomos acampar numa praia por perto e, que por causa da chuva, os caminhos estavam cheios de lama. Só não disse o principal, para minha mãe que sofre dos nervos: que a praia ficava a mais de 1.000 metros de altura, com mata fechada por pelo menos 850 metros do caminho.

Foi minha primeira grande experiência transgressora. Na verdade, transgressora para minha mãe. Para mim, o primeiro ar fresco da Aurora da Liberdade.
Foto do pico mais alto do Maciço do Cambirela.


Abaixo, um documento que achei no Scribd para referência às trilhas possíveis para subir ao cume do Cambirela. Bom para os aventureiros que estejam pensando em acampar lá encima.

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