Em meio aos Girassóis


Para K. M.

— Bom dia, Sol! – diz certa flor
Ao seu provedor iluminado,
Com olhos ao Céu tornado,
Pintado à mão, em única cor.
– Enquanto move-me o teu calor,
Meu Rei-Sol, és informado
De quão natural é este Amor
Por meu Senhor e meu amado.

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Grito da Esperança


Assim, muda o mudo
E fala a tal mudança.
Permanece isso tudo
Em perfeita bonança.

Cede o cinto à pança
Daquele guloso parrudo,
Indiferente ao ossudo
Rosto faminto da criança.

Ao rapado ou ao barbudo,
Ao de tez fransida ou mansa,
A mudança não lhe é escudo

Para fugir ao grito mudo
Do faminto de esperança,
Pois a esperança redime tudo.

(Ebrael Shaddai, 2 de abril de 2016)

Soneto Sinuoso


Estranhos são os Caminhos da Vida,
Esses que dizem perfazer o Destino:
Afastam-nos da meta tão querida
E nos fervem os pés em desatino.

Tão doce é a mais amarga bebida
Que bebo por mim, assim, pequenino.
Grande sou contra meu assassino,
Aquele de minha alma combalida.

Não subverto minha mente em vão,
Num vão acerto do egoísmo cretino,
Nem chamo boa à perversa descida.

Nutro o desejo de cumprir aquela lida
Do soldado que ainda parece menino,
Assim na estrada como no Coração.

***

Angeli non aiunt, sed agunt. (“Os anjos não dizem amém; eles agem.”)

(Ebrael Shaddai, 1 de abril de 2016)