“Quem é como Deus?” (Tributo ao Condutor)


Arcanjo Miguel

 

Tributo ao Condutor (1)

(Ebrael Shaddai, 13/02/2011)

 

I

Em certa praia, de areias oníricas,
Buscando, a esmo, a sandália perdida,
Levou-me, em ondas, a turba, aturdida
Pela mulher de risadas satíricas.

Blasfemava a estranha criatura
Que, em brados terríveis, rugia
Contra a Cruz – Fúria e Loucura –
Num desgosto amargo, e tremia.

Executada a estranha vingança,
Vadiei debalde, após o grande pleito,
Sem em nada pensar, à moda de criança.

À Luz do meio-dia, dor em meu peito;
Leio, inerte, numa estátua de Esperança:
“Aquele que Conduz o Povo Eleito”.

 

II

O temor assaltou-me, ao longe me evadi
Instintivamente, cansado, caí e corri.
A escultura alva, do pedestal, descia
Para alcançar-me, caminhando, em pleno dia.

Atingiu-me suas esferas e seu Poder,
Fraquejando eu, aterrado, impotente.
Manquejando, sucumbi, inconsciente,
Depois de sentir meu Destino a pender.

Atordoado, acordei, inerte que estava.
Um clarão meridiano minha visão ofuscava,
Ou seria esplendor de quem eu pressentira?

Não há como descrever, seja como me refira,
Aquele que, acompanhado como se achegava,
Tão rapidamente aparece, também se retira.

 

III

Rosto mais alvo nunca encontrei;
Cabelos dourados tinha, aos ombros.
Olhos azuis em mim fitou, e esfriei,
Enquanto acedia a mim entre escombros.

Deixou seu servidor ao lado, caminhou.
Suas vestes, como a neve, esvoaçavam,
Cobrindo seus braços, que brilhavam.
Defronte a mim, estendido, me perscrutou.

Meu estado: catatônico. E, de repente,
Ele falou-me, então, sem usar os lábios,
Com porte visto apenas entre os sábios:

“A partir de hoje, serás minha semente!”
Essas palavras do Alquimista beneficente
São de Anjos, estranhas aos alfarrábios…

***

 

(1) O Condutor – Foi a maneira respeitosa pela qual passei a chamar meu mentor espiritual, depois que ele se revelou a mim, numa visão onírica (sonho) noturna. Depois, por pesquisas e comparações descritivas, passei a vê-lo como personificação da hoste do Arcanjo Miguel (do hebr. Mi Ka’El = Quem é como Deus?), considerado pelos cabalistas como “Aquele que Conduz o Povo Eleito” e Anjo Custódio da Terra de Israel. O distintivo “Aquele que Conduz o Povo Eleito” foi exatamente o mesmo que visualizei no pedestal da estátua de mármore que me perseguiu, de forma fantástica, num trecho da Visão.

Stella Matutina


O anjo da liberdade nasceu antes da aurora do primeiro dia, antes do próprio despertar da inteligência, e Deus a chamou de Estrela da Manhã..

“Gloria, pois ao Pai que sepultou o exército de Faraó no Mar Vermelho!
Glória ao Filho que rasgou o véu do templo e cuja pesadíssima cruz, posta sobre a coroa dos césares lançou por terra a fronte dos césares!
Glória ao Espírito Santo, que deve varrer da Terra com seu sopro terrível todos os ladrões e todos os algozes, para dar lugar ao banquete dos filhos de Deus!
Glória ao Espírito Santo, que prometeu a conquista da Terra e do Céu ao anjo da liberdade.”

O anjo da liberdade nasceu antes da aurora do primeiro dia, antes do próprio despertar da inteligência, e Deus a chamou de Estrela da Manhã.
Ó Lúcifer! Tu te separaste voluntária e desdenhosamente do céu onde o sol de afogava em sua claridade, para sugar com teus próprios raios os campos incultos da noite.

Tu brilhas quando o sol se deita, e teu olhar cintilante precede o despertar do dia.
Tu cais para subir de novo; experimenta a morte para melhor conhecer a vida.
Tu és a gloria dos antigos do mundo, a estrela da tarde para a verdade, a bela Estrela da Manhã.
A liberdade não é a licença; pois a licença é a tirania.
A liberdade é a guarda do dever, porque revindica o direito.
Lúcifer de quem as idades de treva fizeram o gênio do mal, será verdadeiramente o anjo da Luz, quando tendo conquistado a liberdade a preço de reprovação, fazer uso dela para se submeter à ordem eterna, inaugurando assim a glória da obediência voluntária.
O direito é somente a raiz do dever, é preciso, pois para dar.
Ora, eis como uma alta e profunda poesia explica a queda dos anjos.
Deus dera aos espíritos a luz e a vida, depois disse-lhes: -Amai.
Que é amar? Responderam os espíritos.
Amar é dar-se aos outros, respondeu Deus, Os que amarem, sofrerão, mas serão amados.
-Temos o direito de nada darmos e nada querermos sofrer, disseram os espíritos inimigos do amor.
Ficai no vosso direito, respondeu Deus, e separemo-nos. Eu e os meus queremos sofrer e até morrer para amar. É nosso dever!
O anjo decaído é, pois aquele, que desde o princípio recusou amar; ele não ama e é todo o seu suplico; ele não dá, e é sua miséria; ele não sofre, e é seu vazio; ele não morre e é o seu exílio.
O anjo decaído não é Lúcifer, o portador da  Luz; é Satã, o profanador do amor.
Ser rico é dar; nada dar é ser pobre; viver é amar, nada mar é ser morto; ser feliz é devotar-se; existir só para si é reprovar a si próprio e se enclausurar no inferno.

 

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 Fonte: http://www.pistissophiah.org/a_estrela_manha.htm