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Satanás e algumas anotações da Cabala


Abaixo, um trecho extraído do livro Kabbalah Denudata (A Kabbalah Revelada), de Knorr Von Rosenroth, traduzida e comentada por Samuel Liddel McGregor Mathers. Este livro tem por base fiel o cânon cabalístico Sépher HaZohar (Livro do Esplendor), que continua o relato de como todo o Universo foi criado (iniciado no Sépher Yetzirah – Livro da Formação), explicando, nos mínimos detalhes, cada símbolo contido nas Escrituras Hebraicas com relação à Criação.

O trecho que cito fala, explicitamente, do ser angélico a que nós, cristãos, chamamos Satã ou Satanás (do hebr. Satan, “Acusador”, “Oponente”), aquele mesmo citado como a Antiga Serpente ou Dragão de sete cabeças.

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O Mistério de Avôhai


O assunto desse domingo, sem mais ninguém pra pegar no pé, é sobre uma de minhas dúvidas antigas. Dúvida cabalística, pra variar! Esse vosso blogueiro meio doido, meio infantil, este que vos fala, alquimista desastrado e manipulador de teorias mal buriladas, resolveu fazer marcação cerrada ao Zé Ramalho. Mas, por quê ao Zé Ramalho?

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O Zero e Deus


Desde a Antigüidade, ouvimos que o símbolo gráfico que exprime o infinito é dado pelo círculo, numericamente representado pelo algarismo 0 (zero). Mas, as religiões monoteístas nos dizem que Deus é Um. Logo, deduzo que elas se referem à Primeira Manifestação de Deus na Criação, mas não a Deus Eterno e Incriado.

A razão pela qual os antigos filósofos creditaram ao Zero o simbolismo da eternidade é muito simples: graficamente, o zero não tem extremidades. Ele não tem começo ou fim aparentes, e ele começa onde termina, seja lá qual for o ponto que se adote como referencial, diversamente do Um.

Cobra que come o próprio rabo

Se fôssemos representar o infinito num plano, o Zero seria ineficaz, pois ele separaria o que está dentro do que está de fora. Não pode haver limites àquilo que, teoricamente, é ilimitado. Lembremos, porém, que um símbolo não busca denotar dimensões, e sim conceitos, arquétipos, idéias abstratas. Logo, como símbolo, ele se enquadra perfeitamente ao conceito de Eternidade no Misticismo.

Mas, quais as outras razões de creditar ao Zero o título de número da Eternidade, e não ao Um?

Os conceitos de Unicidade, Imutabilidade, Indivisibilidade e Imanência, características de Deus, são equivocadamente atribuídos ao Um. Deus não somente é indivisível em seu Todo, mas também apresenta a ausência de opostos em si mesmo.

Pela matemática, podemos visualizar melhor isso tudo. O Um é indivisível, mas possui opostos (+1, -1). O Zero é absolutamente neutro.

O Um, elevado a qualquer potência, resulta nele mesmo; porém, se adicionado a outro número, transforma-se neste. Se colocado à direita do mesmo, dá-lhe uma existência nova (pois, assim, representa a base decimal, e de dez unidades é constituída a série numérica básica de nosso sistema ocidental, como que representando um ciclo de existência). O Zero, elevado a qualquer número, resulta, também, nele mesmo, e multiplicado por qualquer número, permanece igual em sua natureza neutra. E daí, com todas as outras operações.

A única ocasião em que o Zero sofre uma mudança (e isso, acho eu, foi o início de tudo) é quando o Zero é elevado a Zero, o que resulta em Um. Uma eternidade que é elevada (sofre o impulso ou desejo) de ser eterna, fora dela mesma, propicia um ciclo de geração de eternidades (como a descida e subida dos anjos, a espiral evolutiva, etc.), já que eternidade perene e imutável só pode haver uma. É o início da seqüência numérica, sem a participação do Um, tido como a unidade numérica fundamental e primeira. É a geração do Primeiro Ser visível (Um) a partir do Invisível (Zero). Segundo a Qabbalah, isso é Nequdah Rashunah (Primeiro Ponto), sendo esse o símbolo do número Um. Daí, tudo começou do Nada, e do Nada tudo foi feito.

Deus é o Zero no centro do plano cartesiano e do círculo. Parece que ouço Paulo Mendes Campos, sussurrando enquanto pigarreia:

Todos os pontos do Círculo são equidistantes de Deus.

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“Quem é como Deus?” (Tributo ao Condutor)


Arcanjo Miguel

 

Tributo ao Condutor (1)

(Ebrael Shaddai, 13/02/2011)

 

I

Em certa praia, de areias oníricas,
Buscando, a esmo, a sandália perdida,
Levou-me, em ondas, a turba, aturdida
Pela mulher de risadas satíricas.

Blasfemava a estranha criatura
Que, em brados terríveis, rugia
Contra a Cruz – Fúria e Loucura –
Num desgosto amargo, e tremia.

Executada a estranha vingança,
Vadiei debalde, após o grande pleito,
Sem em nada pensar, à moda de criança.

À Luz do meio-dia, dor em meu peito;
Leio, inerte, numa estátua de Esperança:
“Aquele que Conduz o Povo Eleito”.

 

II

O temor assaltou-me, ao longe me evadi
Instintivamente, cansado, caí e corri.
A escultura alva, do pedestal, descia
Para alcançar-me, caminhando, em pleno dia.

Atingiu-me suas esferas e seu Poder,
Fraquejando eu, aterrado, impotente.
Manquejando, sucumbi, inconsciente,
Depois de sentir meu Destino a pender.

Atordoado, acordei, inerte que estava.
Um clarão meridiano minha visão ofuscava,
Ou seria esplendor de quem eu pressentira?

Não há como descrever, seja como me refira,
Aquele que, acompanhado como se achegava,
Tão rapidamente aparece, também se retira.

 

III

Rosto mais alvo nunca encontrei;
Cabelos dourados tinha, aos ombros.
Olhos azuis em mim fitou, e esfriei,
Enquanto acedia a mim entre escombros.

Deixou seu servidor ao lado, caminhou.
Suas vestes, como a neve, esvoaçavam,
Cobrindo seus braços, que brilhavam.
Defronte a mim, estendido, me perscrutou.

Meu estado: catatônico. E, de repente,
Ele falou-me, então, sem usar os lábios,
Com porte visto apenas entre os sábios:

“A partir de hoje, serás minha semente!”
Essas palavras do Alquimista beneficente
São de Anjos, estranhas aos alfarrábios…

***

 

(1) O Condutor – Foi a maneira respeitosa pela qual passei a chamar meu mentor espiritual, depois que ele se revelou a mim, numa visão onírica (sonho) noturna. Depois, por pesquisas e comparações descritivas, passei a vê-lo como personificação da hoste do Arcanjo Miguel (do hebr. Mi Ka’El = Quem é como Deus?), considerado pelos cabalistas como “Aquele que Conduz o Povo Eleito” e Anjo Custódio da Terra de Israel. O distintivo “Aquele que Conduz o Povo Eleito” foi exatamente o mesmo que visualizei no pedestal da estátua de mármore que me perseguiu, de forma fantástica, num trecho da Visão.