Satanás e algumas anotações da Cabala


Abaixo, um trecho extraído do livro Kabbalah Denudata (A Kabbalah Revelada), de Knorr Von Rosenroth, traduzida e comentada por Samuel Liddel McGregor Mathers. Este livro tem por base fiel o cânon cabalístico Sépher HaZohar (Livro do Esplendor), que continua o relato de como todo o Universo foi criado (iniciado no Sépher Yetzirah – Livro da Formação), explicando, nos mínimos detalhes, cada símbolo contido nas Escrituras Hebraicas com relação à Criação.

O trecho que cito fala, explicitamente, do ser angélico a que nós, cristãos, chamamos Satã ou Satanás (do hebr. Satan, “Acusador”, “Oponente”), aquele mesmo citado como a Antiga Serpente ou Dragão de sete cabeças.

O Mistério de Avôhai


O assunto desse domingo, sem mais ninguém pra pegar no pé, é sobre uma de minhas dúvidas antigas. Dúvida cabalística, pra variar! Esse vosso blogueiro meio doido, meio infantil, este que vos fala, alquimista desastrado e manipulador de teorias mal buriladas, resolveu fazer marcação cerrada ao Zé Ramalho. Mas, por quê ao Zé Ramalho?

O Zero e Deus


Desde a Antiguidade, ouvimos que o símbolo gráfico que exprime o infinito é dado pelo círculo, numericamente representado pelo algarismo 0 (zero). Mas, as religiões monoteístas nos dizem que Deus é Um. Logo, deduzo que elas se referem à Primeira Manifestação de Deus na Criação, mas não a Deus Eterno e Incriado.

“Quem é como Deus?” (Tributo ao Condutor)


Arcanjo Miguel

 

Tributo ao Condutor (1)

(Ebrael Shaddai, 13/02/2011)

 

I

Em certa praia, de areias oníricas,
Buscando, a esmo, a sandália perdida,
Levou-me, em ondas, a turba, aturdida
Pela mulher de risadas satíricas.

Blasfemava a estranha criatura
Que, em brados terríveis, rugia
Contra a Cruz – Fúria e Loucura –
Num desgosto amargo, e tremia.

Executada a estranha vingança,
Vadiei debalde, após o grande pleito,
Sem em nada pensar, à moda de criança.

À Luz do meio-dia, dor em meu peito;
Leio, inerte, numa estátua de Esperança:
“Aquele que Conduz o Povo Eleito”.

 

II

O temor assaltou-me, ao longe me evadi
Instintivamente, cansado, caí e corri.
A escultura alva, do pedestal, descia
Para alcançar-me, caminhando, em pleno dia.

Atingiu-me suas esferas e seu Poder,
Fraquejando eu, aterrado, impotente.
Manquejando, sucumbi, inconsciente,
Depois de sentir meu Destino a pender.

Atordoado, acordei, inerte que estava.
Um clarão meridiano minha visão ofuscava,
Ou seria esplendor de quem eu pressentira?

Não há como descrever, seja como me refira,
Aquele que, acompanhado como se achegava,
Tão rapidamente aparece, também se retira.

 

III

Rosto mais alvo nunca encontrei;
Cabelos dourados tinha, aos ombros.
Olhos azuis em mim fitou, e esfriei,
Enquanto acedia a mim entre escombros.

Deixou seu servidor ao lado, caminhou.
Suas vestes, como a neve, esvoaçavam,
Cobrindo seus braços, que brilhavam.
Defronte a mim, estendido, me perscrutou.

Meu estado: catatônico. E, de repente,
Ele falou-me, então, sem usar os lábios,
Com porte visto apenas entre os sábios:

“A partir de hoje, serás minha semente!”
Essas palavras do Alquimista beneficente
São de Anjos, estranhas aos alfarrábios…

***

 

(1) O Condutor – Foi a maneira respeitosa pela qual passei a chamar meu mentor espiritual, depois que ele se revelou a mim, numa visão onírica (sonho) noturna. Depois, por pesquisas e comparações descritivas, passei a vê-lo como personificação da hoste do Arcanjo Miguel (do hebr. Mi Ka’El = Quem é como Deus?), considerado pelos cabalistas como “Aquele que Conduz o Povo Eleito” e Anjo Custódio da Terra de Israel. O distintivo “Aquele que Conduz o Povo Eleito” foi exatamente o mesmo que visualizei no pedestal da estátua de mármore que me perseguiu, de forma fantástica, num trecho da Visão.

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