Translúcida


TRANSLÚCIDA

Só, escutando as gotas,
Cheirando a mesma névoa,
E o assento, só.

Ingerindo teu gemido,
Introjetando cada nota,
E o timbre agudo, só.

Conduzidos pela escada,
Tempos idos e sempre vindos.
Nos sapatos: pó.

Medo e coragem, complementares.
Antônios e Simones se fazem pares.
E a Alma, nunca só.

À frente, somente o Sol.

(Ebrael Shaddai, 27 de setembro de 2017.)

A dança da Chuva


As águas da chuva da madrugada inteira açoitavam meu lombo impiedosamente, encolhido que estava eu sob os escombros de uma cabana. A tormenta da semana anterior, com seus vendavais, havia deixado monturos por toda parte. A chuva me castigava e era, ao mesmo tempo, a fonte misteriosa e anônima de minha força. Abri a boca, então, e bebi a água diretamente do ar que me unia a ela.

Acaso, dancei eu no meio da chuva? Não! Mas, certo estou: a chuva dançou em mim.

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