Náufragos sem fronteiras


Sim, essa postagem é uma crítica, além de simples reflexão. Sim, ela se aplica aos seres humanos ansiosos, perdidos e confortavelmente à deriva em meio a esse grande Oceano de gente em que vivemos. Náufragos, de todas as idades, de todos os lugares, de todas as redes.

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Ensaio especulativo sobre o filme “A Origem”


Boa noite a todos!

Como todos sabem, elaborar ideias e colocá-las no papel (ou no computador) não é sempre algo simples. Ou melhor: geralmente não o é! Na internet, estando o trabalho redigido, temos ainda que nos esforçar igualmente na divulgação do mesmo. Assim, após ter postado no Claustrum Secretum um pré-ensaio sobre o filme A Origem (Inception, em inglês) e publicado uma nota no Facebook sobre o mesmo tema, resolvi republicar esse trabalho aqui, no DIES IRÆ, por ser meu porto seguro.

Abaixo, segue incorporada a nota publicada hoje, compartilhada pela página do DIES IRÆ no Facebook. CURTAM E COMPARTILHEM!

Sonho dentro de um sonho?


Após assistir ao filme A Origem, do diretor de Amnesia e Insomnia, Crystopher Nolan, protagonizado pelo hollywoodiano Leonardo Di Caprio, muitas questões filosóficas e existenciais começaram a pulular em minha mente. Seríamos todos partes do “sonho” de Deus? Afinal, Deus “acordado” seria eterno. Para que partes da essência eterna de Deus pudessem se manifestar em estado diferente, Deus (o Todo não-personificado) teria de “dormir” também.

Essa e outras ideias minhas não podem, ainda, ser objetivadas aqui. Elas estão em latência, sendo gestadas na minha mente. Mas, fiz questão de vir postar aqui uma poesia do célebre escritor Edgar Allan Poe (quem leu Histórias Extraordinárias e se encantou pelos habitantes de Liliput, sabe de quem estou falando). A poesia apresento aqui na versão original, em inglês, em primeiro plano. Em seguida, dei-me ao trabalho de adaptá-la livremente para o português.


A Dream Within A Dream
(Edgar Allan Poe)


Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow –
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand –
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

Um Sonho Dentro De Um Sonho


Receba este beijo sobre a testa!
E, te deixando a partir de agora,
Então, deixe-me te contar:
Você não está errado, você que considera
Que meus dias foram um sonho;
Mesmo que a Esperança tenha sumido
Em uma noite, ou em um dia,
Numa visão ou em nada mais,
É, portanto, o que menos se perdeu?
Tudo o que vemos ou transparecemos
É nada além de um sonho dentro de um sonho.

Permaneço no meio do rugido
De uma onda agitada a “quebrar”,
E seguro dentro de minha mão
Grãos da areia dourada –
Quão poucos!! Ainda, enquanto eles escorrem
Por entre meus dedos, lá para o fundo [da água],
Como eu lamento, como eu lamento!!
Ó, Deus! Não posso agarrá-los
Com um cinto apertado?
Ó, Deus! Não posso guardar nenhum deles
Da onda impiedosa [do Tempo]???
Tudo que vemos ou transparecemos,
Não é mais que um sonho dentro de um sonho??