Mea culpa, mea maxima culpa!


Para mim, um dos maiores dramas e ilusões da humanidade chama-se pecado. Por ele, se cometem loucuras, contra eles fazem-se verdadeiras guerras religiosas, pais se voltam contra filhos e vice-versa. Por ele, os instintos básicos e vitais da sexulaidade sadia se degeneram em verdadeiras doenças mentais.

Alguns poderão me perguntar: Mas, Ebrael, que conversa é essa?? Pensei que você fosse mais heterodoxo em relação a esses assuntos…

E sou mesmo!! O que eu disse foi justamente para reforçar a minha opinião de que toda as crenças num pecado original acarretam, no imaginário de todas as pessoas, culpas insuportáveis. Ou seria o contrário??

 

Eu creio que somente se pune por um ato próprio, crendo ter “pecado”, aquele que se culpa, se cobra e se condena por esse ato. A noção de pecado não existiria se as pessoas não se culpassem a todo momento. Não existiria pelo que ter medo, apenas temor da própria Consciência. Quem não se culpa, quem não se condena, não achará que merece o inferno, não se crerá o pior ser do planeta nem tentará suicídio. Uma pessoa que não carrega a culpa vive mais feliz, mais leve e é mais segura. Uma pessoa assim nunca pensará que é imperdoável, nem tampouco que é digno de que sintam pena dela.

Não carregar a culpa não significa ser inconsequente e fazer qualquer coisa sem se preocupar com as implicações de seus atos no mundo ao seu redor. Significa apenas não se agarrar ao que já passou, ao que se fez de errado, mas ao que podemos fazer de certo dali em diante, ao que podemos fazer para melhorar e consertar uma situação infeliz.

Continuando, isso implica uma mudança de atitude. Parar de pensar pela cabeça dos outros e se livrar de tudo que nos remete a sentimentos de auto-condenação. Se há algo no mundo realmente diabólico, é o sentimento de culpa, a noção de pecado. Se arvoram muitos a pregar a mensagem de Jesus, mas mal se lembram eles de quando Jesus falou à prostituta: “se ninguém te condenou, eu também não te condeno”.

Já citei aqui no blog várias vezes uma frase de Eliphas Levi, que eu tomo como referência para mim e para o blog:

A Liberdade não é a libertinagem, pois a libertinagem é tirania;

A Liberdade é a Guardiã do Dever, porque reinvindica o Direito.

Isso quer dizer que somos os únicos responsáveis por nosso destino, seja para o que consideramos bom ou mal. Não existe condenação ou salvação, a não ser a partir de nossa própria alma, e não exterior a ela. Não há Salvadores nem Acusadores, que possam mudar nosso destino, à nossa revelia. Somos plenamente livres!! Basta que deixemos as ilusões de lado!! Mas, que ilusões são essas??

A primeira e mais covarde, é a ilusão do pecado!! Não há nada definitivo no Universo. Não vou arder no mármore do inferno se transar com alguém fora do casamento, nem mesmo vou para o céu do Arco-Íris pelo simples fato de dar uma esmola mirrada a um pobre desconhecido, sem sequer permitir a ele que sinta o calor da minha mão. Vou apenas para onde meu coração me levar, pois conforme deixou dito Jesus

Onde estiver teu coração, aí estará teu tesouro!!

Seja esse tesouro bom ou mal, o Inferno de Sodomias ou um Céu de Brigadeiros, esse tesouro é meu destino, é o rumo aonde chegará minha Essência, é minha verdadeira Vontade.

A segunda: é a ilusão de que a salvação ou a condenação da alma vêm de fora de nós mesmos! Jesus disse:

O Reino dos Céus está dentro de vós!!

Se assim é, estar fora de mim é o Inferno. Crer que algo fora de mim pode interferir em meu destino é a Mentira. O Deus Vingativo, de fora de nós, que condena e remete todos os “desobedientes” e rebeldes a um lago de fogo ardente, é o verdadeiro Diabo. Se esse Deus existe, seu intento maior é nos separar de nós mesmos, nos tornar escravos de crenças que não são nossas, nos tirar a felicidade que o corpo material, servindo à alma, pode dar em forma de sexo sadio e sem culpas. Jesus não é Deus, e ele mesmo o disse várias vezes. Mas os homens sempre têm que fabricar deuses que moram fora deles mesmos, tamanha é sua escravidão à matéria, tamanha é sua cegueira, pela qual a única forma que acham ter de se relacionar com Deus é torná-lo tão estúpido como eles são, obrigando-se a adorar a seus deuses em blocos de pedra polida.

Não cultuo a Deus em lugar algum fora de mim. Ele está dentro de mim. E se permite que eu viva mais um dia e escreva tudo isso a vocês, é porque meus atos egoístas e defeitos não são mais estúpidos que as regras escritas nos corações dos homens, criminosamente, para evitá-los. Exemplo disso é a condenação do sexo, pela Igreja e pelo Islã, como fonte de prazer.

Num próximo post vou dar minha opinião sobre a repressão contra o instinto mais poderoso da natureza humana: o instinto sexual!!