Amuletos vivos


Tenho predileção mais aos gatos que aos cães como animais de estimação. Claro, essa tal predileção varia de pessoa a pessoa. Há quem não vá bem com esses nem com aqueles, e prefira os pássaros. Também podemos verificar os casos extremos em que os animaizinhos prediletos sejam os humanos.

Esse é o príncipe do meu sofá e protetor da casa!

Mas, feminismos, machismos e masoquismos à parte, tenho certeza que esses bravos amigos, que nos aturam em nossas infantilidades tardias e crises de neuroses, por vezes perigosas, pagam bem a comida, água e cuidados que lhes damos. Mais que companhias, são protetores passivos de nossos lares contra as energias negativas que adentram nossas casas, trazidas ora por nós mesmos, ora por outros.

Mustaphah, falecido em 2006, talismã vivo que rasgava meus livros para chamar a atenção e assegurar exclusividade.

Muitas vezes, inteligências hostis (ou melhor, encostos) se achegam para trazer o caos, a doença e a morte, e eles nos protegem, absorvendo de imediato, pela propriedade magnética passiva de suas almas puras, todos os miasmas de morte que assaltam nossas casas. Como são muito apegados e afinizados conosco (seus “donos”), assimilam, por osmose animica, tudo que nos é direcionado de ruim. Nesses casos, se enquadram as ocasiões em que adoecem aparentemente sem razão, e muitos chegam a morrer devido à força de um magnetismo negativo mais vigoroso que lhes atinge em cheio.

Então, aos que têm animais em casa que lhes são muito apegados, dêem-lhes seu devido valor, com carinho, atenção e cuidado.

Cúmulo de Insensatez


Um causo pitoresco me chegou ao conhecimento, através de uma amiga, por email. Contava ela  que, certa vez, um de seus vizinhos, que é Testemunha de Jeová, lhe chegara à casa para pregar sua doutrina. Curiosa e pesquisadora de credos religiosos, resolveu escutar a “palestra” do dito religioso. Das principais coisas, e das que mais lhe chamara a atenção, escutou que transfusão de sangue, para salvar vidas, é pecado mortal, bem como o segundo casamento é absolutamente proibido.

Bem, na continuação desse relato por email, ela me narrara justamente o momento em que não se contivera e começou a discutir com o homem. Acerca das segundas núpcias, ele dizia que a mulher, para separar-se do marido, teria de ter provas definitivas de sua infidelidade ou de sua incapacidade de gerar filhos. Ela perguntou a ele, então, se a mulher poderia separar-se do homem no caso de esse lhe espancar, mesmo sistematicamente. Claro, baseado no fundamentalismo que lhe era peculiar, ele respondera que não. O casamento era pra vida inteira, e mesmo que a separação fosse APROVADA pela igreja, ela não poderia casar-se novamente, ao contrário do marido, obviamente.

Numa sociedade em que o fundamentalismo e o radicalismo se antepõem como ferozes inimigos, ficam as mentes reféns e à mercê de absurdos como esse. Acreditem: isso é mais comum do que se pensa, e a insensatez grassa em nossa “civilização”. Ora é o fundamentalismo religioso que nos amedronta, com todas as penas de um inferno folclórico, com regras que, senão medievais, remontam à época em que só a Lei do Talião poderia conter a barbárie de povos guerreiros, onde o suicídio bombástico nos premia com 70 virgens num Paraíso esdrúxulo; ora é o radicalismo relativista, que diz que o Tudo nasceu ao acaso, de um acidente cósmico, de arranjos de proteínas ao léu, numa bela e escura noite de verão. Será que precisamos de todos esses flagelos mentais?

Eu aconselhei para que não se “aprofundasse” demais nos estudos deles, pois, sem que ela soubesse, em um ou dois sábados, ela já seria uma Testemunha de Jeová, com casamento marcado e tudo, ou então já se veria batizada numa piscina batismal. Disse que, numa hora qualquer dessas, a cachorra da casa poderia se manifestar como estivesse falando em línguas, convocando todos à conversão. Nesse caso, o Espírito Santo ainda seria uma criança, já que saberia falar apenas au-au!

Se Deus deve ser levado ao pé da letra, então Deus é um aliciador de menores, já que permitia que adolescentes servissem como esposas (escravas sexuais e parideiras). Deus infringe as Leis trabalhistas e a Declaração dos Direitos do Homem, já que tolerava a manutenção de trabalho escravo. Deus é conivente com assassinos, já que estabelecia cidades onde, os que matavam, poderiam se refugiar para escapar de linchamentos. Deus é um gângster, pois legitimava o poder dos reis, ainda que fossem tiranos. Deus era um sádico com animais, pois se refestelava com sacrifícios de animais para aplacar os pecados de seus protegidos. Enfim, Deus era uma genocida, pois várias vezes ordenara a seu povo que, invadindo a terra dos inimigos, passassem todos a fio de espada (matassem todos), sem distinguir mulheres, crianças nem idosos. Deus era um ladrão, pois justificava, com seu nome divino, a usurpação de terras de outros povos, tal como Israel faz com os palestinos até hoje. E tudo isso, em nome de um Deus que escreveu muitos livros, um Deus que tinha nomes humanos, um Deus muito cara-de-pau!

Aborto – crime hediondo!


Aborto – crime hediondo – para a mãe / para o feto.

O Homem que enganou a Morte – Jesus não morreu na Cruz!


Para introduzir o que vou falar aqui, que por si só já trata de um assunto difícil e extenso, vou recorrer novamente à analogia. Afinal, não sou cientista para tratar com experimentos, nem sou capacitado para isso (ainda), mas apenas um pensador livre.

Se fôssemos apenas bactérias do intestino de Deus (a Suprema Inteligência), seres primitivos, porém criados para contribuir para a economia do Corpo do Universo, poderíamos nos considerar de grande importância, certo? Certo dia, Deus infundiu uma de suas bactérias de uma importante missão: fazer saber às bactérias que suas vidas não são mais nem menos do que UMA com a GRANDE VIDA. Uma bactéria continha em seu núcleo celular, e em seu DNA, a mesma essência em grau diminuto, ainda que perfeitamente idêntica, do Cérebro (Inteligência) do Grande Corpo. Pois, em tudo, há hierarquia e ordem. Como coadunariam, em um mesmo meio (Universo), forças de origem diferente, sem que batalhassem pela supremacia?? Teríamos uma dualidade irreconciliável, um Rei nativo, reinando sobre escravos eternamente insatisfeitos por não se identificarem com seu Soberano.

O egoísmo nos tolhe isso: a consciência de nossa verdadeira origem. A relação Criador/Criatura é levada a um extremo irracional, onde somos escravos de um Deus que não se parece, em nossas mentes, conosco mesmos. Em nossas relações, nos importa satisfazer apenas nossas necessidades, pois a religião não nos infunde a noção de Liberdade que, ao saber sermos Filhos de Deus, deveríamos possuir. E sermos livres, desde sempre, importa contermos o Universo e nele estarmos, mesmo que dentro de nós mesmos, no que Paulo dizia ser o Templo do Espírito. Num Templo, toda a Assembléia pode ser vislumbrada, assim como os símbolos sagrados de tudo que foi criado, virtualmente, fora dele.

Em nós mesmos, somos Deus, ainda que por meio não de nosso Eu Consciente, mas de nosso Verdadeiro EU… mas que Eu é esse? Esse Eu é aquele que não vê diferença entre uma pedra e um pássaro, entre ele e o outro ser humano, que é incapaz de destruir algo, ainda que possa transformar a forma física de uma coisa, ou ser, por um Bem Maior. Esse bem maior nunca é um apetite; na pior das hipóteses, uma contingência.

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As religiões ocidentais, principalmente as de origem greco-romana e a cristã, sentiam uma necessidade paradoxal de transformar a natureza humana em divina, e vice-versa, deixando Deus com uma aparência antropomórfica distorcida.