O Portador da Promessa


Os anos passam e todos nós, se não mudamos, temos de nos adaptar à vibração dos anos. Nossos nervos se adaptam às porradas da Vida e, assim, a abordagem que fazemos às curvas do Caminho vai se modificando. Não permitimos que nossa essência se dilua diante dos desafios, mas ela deve continuar seguindo o melhor Caminho, ainda que fluindo como as águas de um rio ou irrompendo como meteoro pelos Céus. O Caminho tem sempre seus pontos altos e baixos, sejam eles acentuados ou suaves.

Quem me acompanha desde o início deste blog talvez se lembre dos motivos de eu ter adotado esse nick, Ebrael. Foi para, ao mesmo tempo, funcionar como “amuleto” e pseudônimo, já que não gostava de assinar minhas poesias e relatos com meu nome de batismo. Paralelamente, o título do site, DIES IRÆ (em lat., “Dia da Ira”), que é o título de uma obra sacra do séc. XIII, funcionou como sinalizador do espírito do que viria a ser escrito aqui.

No entanto, visando acompanhar a evolução natural da Vida e consoante as peças que a mesma me pregou até hoje, acho por bem modificar o nome que está à porta desta “casa” virtual. Esta não perderá seu caráter ácido, inerente ao espírito daquele que dela cuida, mas deixará de lado a impessoalidade aparente para assumir, de uma vez, a personalidade de quem vos fala. A partir de hoje, pois, esta “casa” será do “Portador da Promessa”.

Mas, qual é o motivo por qual é atribuído este título ao site?

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Grande Pessoa


Escorpião, por Fernando Pessoa

GRANDE PESSOA

Para Fernando Pessoa, com admiração.

Grande Pessoa, o Fernando!
Quem me dera, pessoalmente,
aprender como um Graduando,
A transcender o que se sente!

Sob o Céu que me apreende,
E sob as nuvens, dançando,
Quero o Lume que ascende
E desce, à moda de Fernando!

(Ebrael Shaddai, 9 de Outubro de 2011, 13:04)

Como ser um Escorpiano?


Bem, hoje não vou falar do Epitáfio do Escorpião nem dos inúmeros motivos que as pessoas têm para amarem e/ou odiarem os nativos do signo Escorpião. Nessa noite semitrágica e semirreal, vou dar umas dicas para aqueles que sonham em conhecer um escorpiano serem ou parecerem tão fortes em personalidade e sagazes em sua sensibilidade.

Os Escorpianos são temidos menos por sua vingança atroz do que pela sua astúcia, menos por sua força de vontade do que por sua sensualidade e ânsia por Liberdade. Os nativos desse signo misterioso têm em si mesmos os segredos da Vida e da Morte, de polaridade negativo-passivo-feminina. Isso nada tem a ver com a opção sexual individual, e sim com suas potencialidades e características inatas.

E o que quer dizer quando mencionamos os escorpianos como detentores dos segredos da Vida e da Morte? Escorpião é o signo regente da casa VIII, a casa da Morte. Morte como trabalho da Vida, como fechamento de ciclos, desintegração de conceitos, de renovação da matéria e do espírito, bem como alternância de Poder. É o fogo frio da alma que se transforma: purifica por meio do enfraquecimento de laços, de vínculos e da revolução da mente, transitando entre um estado de existência a um outro, tal como alguém que dá um grande salto de uma pedra a outra em meio a um rio revolto.

Ícone do Poder

Para ser um escorpiano, deve-se falar muito do que não lhe é importante, distraindo seus oponentes, e calar para escutar o que lhe interessa. É necessário avançar sempre, nem que seja um avanço por meio de um recuo estratégico. Todo passo, contanto que nos mantenha de pé, é um avanço sobre a inércia, ainda que seja um passo atrás. É preciso ponderar sempre e assumir uma escolha, ainda que em meio a dúvidas. Escorpianos não fogem das dúvidas. As cruzes da Vida de uma escorpiano não são suas dificuldades, mas o tempo que ele leva para avançar em mais um degrau na escada do Calvário. Quanto mais cedo decidirmos, mais facilmente saberemos se fizemos ou não uma boa escolha (ou se ela nos é ou não favorável).

Para ser Escorpião, evite pedir desculpas; apenas repare o erro. Um ato sincero de reparação, calado, tem mais efeito do que palavras ao vento. Dizer que ama alguém é um ato de reconhecimento, quando sincero, mas amar e cuidar efetivamente de alguém ou alguma tarefa é muito mais proveitoso. Quem é escorpiano simplesmente é, não demonstra; faz, ao invés de só falar. Quem nasceu escorpiano nada teme, apesar de saber esperar por uma boa oportunidade para enfrentar um gigante. Ele sabe olhar nos olhos de seu amigo e lhe levantar o ânimo, e fulminar um adversário, fazendo-lhe beber até o último trago de sua inveja e mau-olhado.

Escorpiano não corre atrás de honras ou bajulações. Ele detesta o que não é genuíno, autêntico, falso. Ele prefere muito mais a convivência de um inimigo declarado do que a de um falso amigo. Diante de um inimigo declarado estamos cientes de uma hostilidade verdadeira, enquanto ao lado de um falso amigo enfrentamos o risco de uma omissão criminosa ou interesseira. Ele sabe que um criminoso assumido está muito mais perto de uma regeneração do que um “mocinho” medíocre.

Quem é escorpiano não consegue viver desapaixonado. Ele precisa de motivos para sorrir. Ele não sorri pela metade; ou ele ama intensamente ou odeia até a morte. Escorpianos doam suas vidas por aquilo que lhes vale a pena, por quem lhes deu a vida, ou a devolveu a si. Matam sem dó aquilo que lhes fazem mal ou não lhes fazem mais sentido, tais como vícios, maus pensamentos e comportamentos estéreis. Eles são faxineiros mentais por excelência.

Escorpianos fazem do sexo um ritual sagrado de Vida e Morte, não do corpo, mas encenam toda sua vida em minutos como um ato teatral do ciclo de sua Vida: tirar a roupa é como despir-se de seus preconceitos e véus mentais. Estar dentro do outro é como aceitar ter o outro em si. O Orgasmo é como aceitar o prazer supremo do outro como única recompensa para o curto-circuito cerebral a que se expõem. Nisso, baseia-se seus espasmo físicos. Toda a natureza selvagem e puramente sincera imiscui-se com suas alma livres de máscaras. Ali, eles vislumbram a real união entre o Céu e a Terra, entre o puro e o profano, entre o animal e o racional.

Resumindo: ame-se, orgulhe-se de si, nunca baixe a cabeça, mas também não bata em inimigo caído. Queira a Liberdade, ainda que a preço de dor, ou prefira o sossego pela renúncia. Mas, nunca, nunca mesmo, permaneça por muito tempo encima do muro.

Que me odeiem, contanto que me temam!

(Nero, imperador romano)

Assim, porquanto és morno, e nem frio nem quente, vomitar-te-ei de minha boca.

(Apocalipse, cap. 3, versículo 16)