Grito da Esperança


Assim, muda o mudo
E fala a tal mudança.
Permanece isso tudo
Em perfeita bonança.

Cede o cinto à pança
Daquele guloso parrudo,
Indiferente ao ossudo
Rosto faminto da criança.

Ao rapado ou ao barbudo,
Ao de tez fransida ou mansa,
A mudança não lhe é escudo

Para fugir ao grito mudo
Do faminto de esperança,
Pois a esperança redime tudo.

(Ebrael Shaddai, 2 de abril de 2016)

Balada do Triplo Caminho


Totem verde e petrificado,
Estante ao raio hipnótico,
Se abre ao buraco caótico
No caminho tão ressequido.

O olhar sertanejo psicótico
Fixa-se, inerte, trincado,
Em um horizonte narcótico,
Ao fim do caminho esquecido.

Ao andar, assim, quase robótico,
Diz-lhe o Destino, tão retórico,
Que a Morte não é só ditado
Na boca do caminho vivido.

***

Autor/data da composição: Júlio César Coelho (Ebrael), 01/01/2016, 16:13. Todos os direitos reservados.

Composta em um comentário ao soneto “A seca do quinze“, de Viviane Vasconcelos.

Dados da Foto: Habitante sertanejo do Estado da Paraíba, Brasil. Publicada em: 21 de julho de 2010. Visualizada em: < https://goo.gl/KdBkEJ >. Direitos reservados à Brazil Photos Stock Photography.