A Pedra Angular


“A pedra antiga, outrora rejeitada pelos construtores, veio a tornar-se a Pedra Angular, a Pedra da Fundação” (Jesus Cristo)


Prometi a mim mesmo, sem sucesso, que me absteria de escrever por uns tempos para sossegar meu coração e me adaptar, forçosamente, a uma nova ordem. Foi em vão, como já disse? E por quê? Guardar nossas ansiedades para nos mesmos quase nunca é saudável. Resolvi, então, continuar refletindo e postando…

Os construtores passam, as pedras são polidas, mas a Pedra Angular permanece a mesma. Os tempos correm velozes, os corações se alegram e sofrem, mas a Consciência persiste em seu trabalho de Iluminação, de harmonização com as Leis Universais.

Nossos Destinos se cruzam e se afastam, as Leis são cumpridas à nossa revelia, Deus continua sendo Deus não obstante nossos tolos conceitos acerca d’Ele. E nossa Alma prossegue em sua marcha, visando a nossa libertação da ignorância.

Como é triste não conhecermos os porquês daquilo que nos ocorre! Mas, estaríamos todos prontos a saber a Verdade, ou jogaríamos as pérolas aos porcos de nossa incredulidade? Não! Nada é por acaso, e nem um fio de cabelo nos cai da cabeça sem que seja contado!

 

A "Pedra" da Fundação

 

A Argamassa de meu sangue erige as paredes de meu Templo Interior. Dá sustentação ao Corpo de minhas provações. Mas a Pedra Angular de minha Alma, arrancada do Coração de Deus para sua glorificação, permanece impávida!

Os ventos das dores assolam nosso chão, mas nossa Fé na dureza da Pedra nos conforta, nos mantém cientes de nossa missão na Terra: vencer a ignorância, amar a Deus em todas as coisas e cumprir fielmente nosso Destino. Misericordioso é Deus que, cobrindo as faltas de seus filhos, lhes dá a Vida em plenitude de amor!

Tudo passa! Os ventos mudam, os construtores de nossos dias vêm e se vão, mas permanecem a Fé, a Esperança e o Amor! Permanecem para sempre, assim como as promessas relativas a esses três últimos pilares…

Divagações filosóficas: a “ressurreição” de Jesus


Acordei hoje atrasado. Atrasado para o que mesmo? Para ir ao batismo de minha enteada, que está para completar 12 anos. Disse que não me lembrava, pois fazia algum tempo que não ia à Igreja católica. Aprendi desde cedo, em nossa Casa de Umbanda, o que é religião-raiz, e como, mesmo professando a fé nos Orixás, devemos respeitar as memórias que guardamos de quando não éramos filhos-de-santo. Religião-raiz seria, então, a fé no meio da qual nascemos, fomos criados e educados, a religião de nossos pais carnais.

A missa até que não me causou enfado, pois o padre aqui da paróquia é uma pessoa dotada de boa palavra, sabe falar para pessoas de diversas mentalidades, sem contudo abdicar do discurso a que se propõe. Mesmo sendo, no coração, um cristão, pois levo no peito os ideais humanistas de Cristo (e não do cristianismo, o que é bem diferente), é fato que quando estamos em outro ambiente religioso esquecemos ou deixamos que se diluam as lembranças e o sentimento religioso de outrora. E a prova de que ainda nutro bastante simpatia pelos ideais cristãos é que, durante o sermão e os ritos da missa, fiquei com o pensamento dividido entre Cristo e as lembranças dos Orixás.

Então, durante o sermão, depois de cada palavra-chave proferida pelo padre, comecei a divagar, devanear mesmo, acerca de assuntos ligados a Cristo: sua vida, os fatos obscuros e polêmicos narrados pelos Evangelhos que conhecemos e os de Nag Hammadi (apócrifos).

E é justamente nesses momentos de aparente transe, devaneio, desdobramento, que extraimos e sintetizamos as principais idéias novas que surgem em nossa vida. Afinal, por experiência própria ou não, aprendi que os principais “ventos” da inspiração passam por nós durante as crises nervosas, exacerbação dos sentidos (visão de uma paisagem, cheiro de flor, audição de uma ópera, etc.), emoção profunda, comoção da morte iminente e… abstração do pensamento filosófico-religioso. Pensar sobre idéias sobre as quais não sabemos muito, portanto abstratas, como Arquétipos, quase sempre tende a alterar, nem que levemente, nosso estado de Consciêcia. Então, à medida em que o padre dava seu sermão, me vieram questões e algumas idéias soltas na cabeça. Nessas horas, nunca temos um caderno de anotações. Isso é o que me irrita…

A primeira coisa que me veio à mente foi, quando aquela multidão de gente de todos os tipos começou a rezar o Glória. Vi então o poder que o Papa traz consigo. A Bomgbogira de nossa Casa disse que a Igreja não possui “fundamento”. Aqui, a palvra “fundamento” não denota a razão de ser da religião, mas uma hierarquia espiritual que, através de um centro comum (um templo, um objeto magnetizado, um altar “original” e imantado), conduz e protege as almas dos que são ligados ao serviço daquela religião. Exemplos de religiões que possuem fundamento são a Maçonaria, a Ordem Rosacruz, a Umbanda e Candomblé, e também ramos hunduístas e do Budismo Tibetano. Também concordo, pois as orações e rituais são destinados a uma personalidade cuja acepção é indevida, como no fato de Cristo ser Deus e ter sido homem ao mesmo tempo. Os milagres dos “santos”, os fenômenos “sobrenaturais” são atribuídos de forma supersticiosa a esse santo ou aquele objeto, quando na verdade, podem muito bem ser fruto da ação da fé individual ou coletiva, a que eu chamo de mente-grupo ou egrégora. Então, desconhecendo os fenômenos de sua própria religião, os católicos, ou a maioria deles, jazem no que temos por ignorância.

Inevitavelmente, me veio algumas questões acerca da vida de Jesus, o Messias. Esse homem é, sem sombra de dúvida, o maior Iluminado dessa era, aliás, aquele que a inaugurou. E, a despeito do que falam os thelemitas, ele não foi o culpado, e suas idéias, de mergulhar o povo na ignorância. Os seres humanos não necessitam de quem os faça ver como são ignorantes. Veio, com uma missão, cumprindo profecias judaicas antiquíssimas. Apenas suas palavras foram mal-interpretadas, ou distorcidas deliberadamente por gente oportunista, sedentas de poder. Mas a essência de sua mensagem vai ecoar durante muito mais tempo do que Crowley previra. E a corrente cristã (à qual Crowley apelidava de “corrente  astral já morta”), não a corrente ignorante e supersticiosa, mas dos adoradores do Santo Espírito, se estenderá e sobreviverá quando a essência do Verbo se revelar cristalina, aos olhos dos que os têm para ver, e aos ouvidos dos que os possuem para ouvir. E a Verdade libertará os corações dos que a buscam, e lhes dará vida em abundância.

O padre começou a falar da cura do surdo-mudo, tema da liturgia de hoje. Falou algo que me surpreendeu positivamente: que a cura do surdo-mudo, em si, de nada valia; Jesus o havia curado somente para lhe trazer ânimo novo e esperança ao seu coração. Imaginem: pobre e ainda deficiente físico, naquela época?? Pensei também que Jesus recomendava que não espalhassem notícias de cura, não só para evitar que lhe perseguissem, mas  para que a vaidade e a soberba não lhes trouxessem novamente “doenças” na alma e apertasse novamente o “nódulo” do Karma.

E quando ele falou da “ressurreição” de Jesus, me veio estranhamente à mente a novela das nove horas da Globo: Caminho das Índias. Mas, por que? Depois de cinco minutos pensando, enquanto corria a missa, me lembrei de como o personagem Raul (Alexandre Borges) simulou a própria morte para fugir com a Ivone (Letícia Sabatella). Ela aplicou um narcótico que causava uma letargia profunda, profunda mesmo. Os sinais vitais desapareceram, aparentemente, é claro, mas havia preservação interna dos órgãos, e os neurônios, simplesmente, “hibernavam”. Não havia morte cerebral mas, ao mesmo tempo, não havia sinais que indicassem que ainda havia vida. Passadas algumas horas, quase um dia, antes de ser enterrado, ele acorda “milagrosamente”, depois de passado o efeito da droga, e troca de lugar com um fardo de peso, no caixão. Enterram, então, um fardo não-humano.

Bem, sabe-se que Jesus passou dos 12 anos em diante (e aos 13 anos õ rapaz faz a primeira iniciação à vida adulta no judaísmo, o Bar-Mitzvá) um bom tempo no Templo, estudando com sumos-sacerdotes (doutores nos segredos da Cabala) e com os essênios, anos mais tarde. Além do mais, quando já com seus 30 anos, tinha como companhia e aliado em Jerusalém, o Rav (Rabi) José de Arimatéia, que teria grandes conhecimentos em Cabala e Medicina Secreta.

Quadro "AÚltima Ceia", de Leonardo Da Vinci.
Quadro “A Última Ceia”, de Leonardo Da Vinci.

Vamos analisar cronologicamente:

1) Jesus anuncia suas intenções de “entregar” seu corpo para que todos vivam. Jesus e seus seguidores estavam sendo perseguidos pelas autoridades. E teriam muito mais motivos que pensamos, já que Jesus sendo um descendente de Davi talvez pretendesse ao trono. Com certeza, o reino de Jesus não era deste mundo, principalmente considerando a origem elevada de sua Essência. Mas, e se ele fosse mesmo casado com Maria de Betânia (ou como queiram, Madalena)?? Maria de Betânia, segundo alguns teóricos, seria também descendente de um ramo real davídico. A passagem que narra Jesus entrando, montado num jumento, e sendo aclamado como Rei pelo povo de Jerusalém fortalece bastante essa teoria. Jesus pretendia restabelecer a realeza, mas sabia que não conseguiria. Ao menos queria ser aclamado como rei, antes de ter que realizar sua tarefa. E qual tarefa era essa??

2) Com sua seita sendo perseguida pelos sacerdotes, que tinham medo que Jesus reinvidicasse a Realeza e conclamasse o povo a uma revolta contra os romanos (o que, para eles, signifcaria a perda de seu poder e o extermínio do povo judeu), Jesus deve ter pensado:

 – Se eu me entregar, o povo enterrará de vez o sonho da restauração de Israel, pois chamarão ao Rei de fraco. Se eu não me entregar, vão dizimar esse povo todo que me segue e apóia. O melhor a fazer é que alguém me “entregue”. Assim, não passarei por fraco, eles terão a quem querem, saciarão sua ira e ninguém mais morre, além de o povo poder continuar a esperar pela vinda do  Messias. Para eles, não serei mais o Messias. Não perderão a esperança. Mas quem irá “me entregar”?? Tem de ser alguém fiel, que não corra o risco de contar tudo se submetido a torturas. Já sei, será Judas (que era um “terrorista” e ativista político)!!

3) Na hora do “acerto”, Jesus diz a Judas: “Vai fazer o que tens a fazer”. E Judas sai correndo “executar o serviço”. Judas aceita a grana de um mês de serviço de lavrador (30 denários) e traz o pessoal (quase 500 soldados, um batalhão daquela época). Isso era para o caso de, quebrado o contrato, os soldados matarem a todos (em torno de 5 mil seguidores). Para os sacerdotes era confortável, pois eram “patriotas” e não precisariam matar gente do seu próprio povo.

4) O sinal era um beijo. Era o combinado. Houve um certo tumulto quando puseram as mãos em Jesus, mas Jesus disse que ali estava quem eles foram pegar. O povo foi liberado. O fato de Judas ter se suicidado depois é por estar consciente do que seu Mestre teve de fazer para salvar a todos eles, e que ele e os outros, na sua visão, não mereciam que o Mestre morresse por eles todos, ele que era o Rei de Israel por direito. Mas Judas não sabia da missa a metade…

5) Fico pensando se José de Arimatéia, enquanto Jesus era interrogado, não estaria preparando uma daquelas drogas letárgicas, como a que o personagem Raul tomou. Será que José de Arimatéia, que estava presente ao interrogatório de Jesus, não teria feito chegar a Jesus, através de algo para beber, a droga à Jesus??

6) Jesus é crucificado. Não aceita nem vinagre para beber. Bem, se estivesse com muita sede, e me esvaindo em sangue, com certeza, eu tomaia até mijo!! Não teria aceitado o vinagre para não diluir a droga e lhe tirar o efeito??

7) Jesus vê o “apóstolo amado” e sua mãe, Maria e fala: “Filho. eis aí tua mãe”, e a Maria: “Mulher, eis aí teu filho”. Bem, isso aí pode ter sido uma adulteração sutil de palavras. Esse tipo de recomendação pessoal é dada, no Oriente Médio, quando o homem, no leito de morte, recomenda a esposa à sua mãe, para que seja dali em diante como filha, e vice-versa. “Apóstolo amado”, pois Maria de Betânia era também sua apóstola, segundo os Evangelhos.

8) Bem, logo depois, José de Arimatéia vai até Pilatos, aflito, pedindo para que pudesse ele tirar o corpo de Jesus logo da cruz. Estranho, pois os condenados à cruz eram amaldiçoados pelo povo e tinham seus corpos deixados para que os urubus comessem o cara. Ninguém, segundo a lei judaica, poderia tocar no corpo de um condenado ao madeiro. Muito menos José de Arimatéia, que era membro do Sinédrio (conselho dos sacerdotes). Mais curioso ainda: a sorte de Jesus foi que não lhe quebraram as pernas, senão a ferida exposta poria fim à integridade do corpo sob o efeito da droga. Se fosse uma fratura exposta, o resto do sangue se esvairia. Aí ninguém daria jeito. Ou, se fosse fratura íntegra (não exposta), geraria um edema grave com coagulaçao instantânea, já que depois de fazer efeito a droga, o fluxo sanguíneo estaria praticamente nulo. Alguém deve ter impedido de que lhe fossem quebradas as pernas, que era para apressar a morte que, devido a isso. ocorria por sufocamento: o corpo, pendurado, perdia o único apoio, o das pernas, e o peso do corpo comprimia os pulmões até a morte por asfixia.

9) Depois de mais de um dia desacordado (sexta-feira à tarde até domingo de madrugada), todo quebrado, Jesus acorda e sai todo machucado, mas vivo de dentro do sepulcro. Na verdade, não houve embalsamamento funerário, mas o tratamento das graves feridas, causadas por pelo menos uma hora de flagelação com o “gato de 9 caldas” e pelos enormes cravos da cruz. O efeito da droga já havia acabado por completo. A causa do adormecimento profundo dos soldados, eu não sei. Suborno ou  uma outra droga misteriosa dada a eles ou aplicada, quem sabe. Mas tudo correu conforme o previsto. O Rei estava vivo, não mais para ser Rei, mas vivo. E seus seguidores continuariam vivos também, tendo esperança, e iriam espalhar suas palavras por toda a Europa, Norte da África e Oriente Médio.

10) Mais de um mês depois de ter aparecido vivo para Tomé (com cara de babão) e os outros, Jesus encontra seus apóstolos na Galiléia. O final, de que Jesus teria subido ao céu de corpo e alma, é claro, para mim é folclore e foi inserido muito tempo depois de os evangelhos originais terem sido escritos. Afinal, um Homem-Deus não poderia passar o resto de sua “eternidade” num mosteiro essênio (para a Igreja, gente suspeita!) no alto do Monte Karmel nem fazendo um tour pela Índia.

Por que Jesus não se tornou Rei dos Judeus?


Antes de começar a dissertar sobre o assunto do título, tenho que fazer uma breve introdução de matérias que serão abordadas.

Quadrados Mágicos – conhecidos pelos matemáticos como matrizes do tipo n x n, de n linhas e n colunas. Conta com a peculiaridade de obtermos sempre a mesma soma dos elementos em qualquer coluna, linha ou diagonal.

Exemplo de Quadrado Mágico, também chamdo de khamea, do tipo 3 x 3.
Exemplo de Quadrado Mágico, também chamdo de khamea, do tipo 3 x 3.

No exemplo acima, temos uma matriz 3 x 3, em que em qualquer coluna, linha ou diagonal, a soma dos elementos será sempre a mesma, nesse caso 15. E como sabemos que sempre dará 15? Resposta: basta distribuirmos os algarismos de 1 a 9 (nesse caso, pois 3 x 3 = 9). Ao somarmos todos os elementos, de 1 a 9, e dividirmos o resultado pelo número de seções (colunas ou linhas, nesse caso 3), obteremos 15 (ou seja, 45 / 3).

Para descobrirmos a soma dos elementos (também chamada de número planetário) de uma coluna ou linha de matriz n x n, em que n é o número de seções (colunas ou linhas), segue a fórmula:

S= (n + n³) / 2

Por que falar de quadrados mágicos aqui? Vejamos.

Ontem tive um sonho estranho, desses que você sabe exatamente que não nasceram de suas idéias, simplesmente. Posso falar apenas da matéria em si, mas não dos eventos do sonho, por motivos pessoais.

Lendo um post interessante em um blog ontem, acabei adormecendo, meditando sobre o assunto. E tinha a ver com as correlações místicas e cabalísticas dos khameas, ou quadrados mágicos para os antigos. Mas, o que obtive de conclusões no sonho não tinha visto no post do tal blog. Foi algo novo. Poderá até parecer maluquice para alguns que lerem o post, mas fez todo o sentido para mim.

A maioria dos graus ligados à Rosacruz ou aos gnósticos trabalha com graus baseados nas Emanações da Árvore da Vida. Esta estrutura foi desenvolvida inicialmente nos Templos de Toth/Hermes, mas contava apenas com sete graus, baseados nos Planetas Alquímicos (Lunae, Mercure, Veneris, Martis, Jovis, Saturni e Solis), sendo Solis o mais avançado. Cada grau possuía um Kamea (Quadrado Mágico) correspondente. Mais tarde os Pitagóricos finalizariam a estrutura para conter 10 esferas numeradas, como conhecemos hoje em dia.

Como os Khameas só são possíveis a partir do 3, então estabeleceu-se uma correlação numérico-cabalística entre números e planetas (arquétipos). Assim:

Saturno = 3;  Júpiter = 4; Marte= 5;  Sol= 6; Vênus= 7;  Mercúrio= 8; Lua= 9.

E onde Jesus entra no sonho, digo, na história??

Como todos sabem, o arquétipo astrológico ligado ao domínio, ao juízo, ao Rei é Júpiter. E o número de Júpiter é 4. Numa matriz quadrada mágica 4 x 4, obtemos o número planetário pela fórmula citada acima:

S = (4 + 4³) / 2= (4 + 64) / 2= 68 / 2= 34.

Esse é o número do Rei numa manifestação particular, enquanto homem perfeito, realizado. Daí, me lembrei, no sonho, do 33, que também é um número cabalístico. Mesmo que Jesus não tivesse morrido aos 33 anos, esse era um símbolo atribuído a ele, significando algo transcendente, pois que os números estão pelo menos um grau acima das palavras compostas, em termos de sublimidade. Ele morreu aos 33 anos. Fez de tudo, foi quase coroado. Era Rei de berço, pela sua linhagem davídica, mas não foi coroado. Ele foi 33, e não chegou ao 34. Quase chegou, quase!!

Nas Tradições esotéricas e cabalísticas ocidentais, há quase uma unanimidade em atribuir a figura de Jesus à esfera 6 (Tiphereth, a Beleza) da Árvore da Vida. Ela é representada pelo Sol. O Sol, mais do que ser Rei apenas, traz a Luz. Está entre 12 constelações zodiacais, assim como Jesus estava entre 12 discípulos. Sem contar que todos os mitos solares das tradições anteriores a Cristo no mundo, se referem a deuses sacrificados e abnegados, que dão a vida pelos seus seguidores e pela humanidade.

Mas o que mais me intriga é o seguinte: não tenho qualquer dúvida que Jesus está ligado ao Arquétipo Solar, mas ao executar os cálculos do quadrado mágico com n=6 (Sol), matriz 6 x6, obtemos a seguinte figura:

Khamea (quadrado mágico) do Sol, matriz 6 x 6.
Khamea (quadrado mágico) do Sol, matriz 6 x 6.

Conclusões:

Calculando o número planetário dessa matriz, temos S= (6 + 6³) / 2= (6 + 216) / 2= 222 / 2= 111. Mas, e se somarmos todos os elementos da matriz?? Cada coluna ou linha soma 111. Logo se multiplicarmos por 6, temos… 666!!!

Não digo que Jesus tenha sido a Besta, mas que se alguém, no futuro, querer se comparar a Ele, declarar ser Ele, será alguém de 666, do Sol, que agrupará não 12 apóstolos, ou 12 constelações. Será alguém pacífico, cativante, que atrai seguidores e tem forte carisma. Será a imitação perfeita do Logos Iluminador. Será um Illuminatus, alguém já com os graus de Adepto, com domínio da Mente e dos 4 elementos. E quando um Adepto é do lado “negro da Força”, elé é mau mesmo!! Talvez seja o messias judaico, a reunir as 12 tribos de Israel a lutar contra o mundo…

Mas Jesus também era regido pelo 666, número de homem. E, logo se o tal Anticristo vir, e for um homem, será a antítese de Jesus, mas com o mesmo grau de adiantamento, ou pelo menos, em teoria, com as mesmas prerrogativas, representadas pelo 666, o Sol Invictus

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Referências: http://ateuspontocom.blogspot.com/2009/05/quem-tem-medo-dos-illuminati.html

Nietzsche, em “O Anticristo” ( + link para download)


Eu baixei essa semana um livro do Nietzsche que eu estava louco para ler: o Anticristo. Antes que digam que eu sou filho do diabo, vou logo dizendo que esse livro não tem nada de demoníaco. Muito pelo contrário. Ele é um esclarecedor megatexto sobre a cristalização (fanatização) de idéias, concebida pelos arautos do cristianismo. E mais: contradiz os cristãos, mostrando o porquê de a mensagem de Cristo não ser levada à sua prática autêntica, assim como era no começo da era apostólica.

Resolvi postar um excerto do livro, um trecho que eu achei em um blog por aí. Para quem nunca leu Nietzsche, comecem a conhecê-lo. Para quem já se iniciou em suas obras, recapitulem. Eis o texto e sem mais delongas:

Repito que me oponho a todos os esforços para introduzir o fanatismo na figura do Salvador: a própria palavra imperieux, usada por Renan, sozinha é suficiente para anular o tipo. A “Boa Nova” nos diz simplesmente que não existem mais contradições; o reino de Deus pertence às crianças; a fé anunciada aqui não é mais conquistada por lutas – está ao alcance das mãos, existiu desde o princípio, é um tipo de infantilidade que se refugiou no espiritual. Tal puberdade retardada e incompleta dos organismos é familiar aos fisiologistas como sintoma da degeneração. A fé desse tipo não é furiosa, não denuncia, não se defende: não empunha “espada” – não entende como poderia um dia colocar homem contra homem. Não se manifesta através de milagres, recompensas, promessas ou “escrituras”: é, do principio ao fim, seu próprio milagre, sua própria recompensa, sua própria promessa, seu próprio “reino de Deus”.
Essa fé não se formula – simplesmente vive, e assim guarda-se contra fórmulas. Com certeza, a casualidade do ambiente, da formação educacional dá proeminência aos conceitos de certa espécie: no cristianismo primitivo encontramos apenas noções de caráter judaico-semítico (- a de comer e beber em comunhão pertence a esta categoria – uma idéia que, como tudo que é judaico, foi severamente fustigada pela Igreja).
Cuidemo-nos para não ver nisso tudo mais que uma linguagem simbólica, uma semântica, uma oportunidade para falar em parábolas. A teoria de que nenhuma palavra deve ser tomada ao pé da letra era um pressuposto para que este Anti-realista pudesse discursar. Colocado entre hindus teria usado os conceitos de Shanhya, e entre chineses os de Lao Tsé – e em ambos os casos isso não faria qualquer diferença a Ele. Tomando uma pequena liberdade no uso das palavras, alguém poderia de fato chamar Jesus de “espírito livre” – não lhe importa o que está estabelecido: a palavra mata, tudo aquilo que é estabelecido mata.
A noção de “vida” como uma experiência, como apenas ele a concebe, a seu ver encontra-se em oposição a todo tipo de palavra, fórmula, lei, crença e dogma. Fala apenas de coisas interiores: “vida”, ou “verdade”, ou “luz”, são suas palavras para o mundo interior…
XXXIII Em toda a psicologia dos Evangelhos os conceitos de culpa e punição estão ausentes, e o mesmo vale para o de recompensa. O “pecado”, que significa tudo aquilo que distancia o homem de Deus, é abolido – essa é precisamente a “Boa Nova”.
A felicidade eterna não está meramente prometida, nem vinculada a condições: é concebida como a única realidade – todo o restante não são mais que sinais úteis para falar dela. Os resultados de tal ponto de vista projetam-se em um novo estilo de vida, um estilo de vida especialmente evangélico. Não é a “fé” que o distingue do cristão; a distinção se estabelece através da maneira de agir; ele age diferentemente. Não oferece resistência, nem em palavras, nem em seu coração, àqueles que lhe são opositores. Não vê diferença entre estrangeiros e conterrâneos, judeus e pagãos (“próximo”, é claro, significa correligionário, judeu). Não se irrita com ninguém, não despreza ninguém. Não apela às cortes de justiça nem se submete às suas decisões (“não prestar juramento”. Nunca, quaisquer sejam as circunstâncias, se divorcia de sua esposa, mesmo que possua provas de sua infidelidade.
No fundo, tudo isso é um princípio; tudo surge de um instinto. – A vida do salvador foi simplesmente professar essa prática – e também em sua morte… Não precisava mais de qualquer formula ou ritual em suas relações com Deus – nem sequer da oração.
Se compreendo alguma coisa sobre esse grande simbolista, é isto: que considerava apenas realidades subjetivas como reais, como “verdades” – que viu todo o resto, todo o natural, temporal, espacial e histórico apenas como símbolos, como material para parábolas. O conceito de “Filho de Deus” não designa uma pessoa concreta na história, um indivíduo isolado e definido, mas um fato “eterno”, um símbolo psicológico desvinculado da noção de tempo. O mesmo é válido, no sentido mais elevado, para o Deus desse típico simbolista, para o “reino de Deus” e para a “filiação divina”.
Nada poderia ser mais acristão que as cruas noções eclesiásticas de um Deus como pessoa, de um “reino de Deus” vindouro, de um “reino dos céus” no além e de um “filho de Deus” como segunda pessoa da Trindade. Isso tudo – perdoem-me a expressão – é como soco no olho (e que olho!) do Evangelho: um desrespeito aos símbolos elevado a um cinismo histórico e mundial… Todavia é suficientemente óbvio o significado dos símbolos “Pai” e “Filho” – não para todos, é claro -: a palavra “Filho” expressa a entrada em um sentimento de transformação de todas as coisas (beatitude); “Pai” expressa esse próprio sentimento – a sensação da eternidade e perfeição.
Envergonho-me de lembrar o que a Igreja fez com esse simbolismo: ela não colocou uma história de Anfitrião no limiar da “fé” cristã? E um dogma da “imaculada conceição” ainda por cima?… – Com isso conseguiu apenas macular a concepção… O “reino dos céus” é um estado de espírito – não algo que virá “além do mundo” ou “após a morte”. Toda a idéia de morte natural está ausente nos Evangelhos: a morte não é uma ponte, não é uma passagem; está ausente porque pertence a um mundo bastante diferente, um mundo apenas aparente, apenas útil enquanto símbolo. A “hora da morte” não é uma idéia cristã – “horas”, tempo, a vida física e suas crises são inexistentes para o mestre da “Boa Nova”… O “reino de Deus” não é uma coisa pela qual os homens aguardam: não teve um ontem nem terá um amanhã, não virá em um “milênio” – é uma experiência do coração, está em toda parte e não está em parte alguma…
XXXVI Nós, espíritos livres – nós somos os primeiros a possuir os pré-requisitos para entender o que, por dezenove séculos, permaneceu incompreendido – temos aquele instinto e paixão pela integridade que declara uma guerra muito mais ferrenha contra a “sagrada mentira” que contra todas as outras mentiras…
A humanidade estava indizivelmente distante de nossa benevolente e cautelosa neutralidade, de nossa disciplina de espírito que sozinha torna possível solucionar coisas tão estranhas e sutis: o que os homens sempre buscaram, com descarado egoísmo, foi sua própria vantagem; criaram a Igreja a partir da negação dos Evangelhos…
Todos que procurassem por sinais de uma divindade irônica que maneja os cordéis por detrás do grande drama da existência não encontrariam pequena evidência neste estupendo ponto de interrogação chamado cristianismo. A humanidade ajoelha-se exatamente perante a antítese do que era a origem, o significado e a lei dos Evangelhos – santificaram no conceito de “Igreja” justamente o que o “portador da Boa Nova” considerava abaixo si, atrás de si – seria vão procurar por um melhor exemplo de ironia histórico e mundial.
XXXVII Nossa época orgulha-se de seu senso histórico: como, então, se permitiu acreditar que a grosseira fábula do fazedor de milagres e Salvador constitui as origens do cristianismo – e que tudo nele de espiritual e simbólico surgiu apenas posteriormente? Muito pelo contrário, toda a história do cristianismo – da morte na cruz em diante – é a história de uma incompreensão progressivamente grosseira de um simbolismo original. Com toda a difusão do cristianismo entre massas mais vastas e incultas, até mesmo incapazes de compreender os princípios dos quais nasceu, surgiu a necessidade de torna-lo mais vulgar e bárbaro – absorveu os ensinamentos e rituais de todos cultos subterrâneos do Imperium Romanum e as absurdidades engendradas por todo tipo de raciocínio doentio. Era o destino do cristianismo que sua fé se tornasse tão doentia, baixa e vulgar quanto as necessidades doentias, baixas e vulgares que tinha de administrar. O barbarismo mórbido finalmente ascende ao poder com a Igreja – a Igreja, esta encarnação da hostilidade mortal contra toda a honestidade, toda grandeza de alma, toda disciplina do espírito, toda humanidade espontânea e bondosa. – Valores cristãos – valores nobres: apenas nós, espíritos livres, restabelecemos a maior das antíteses em matéria de valores!…
XXXVIII Não posso, neste momento, evitar um suspiro. Há dias em que sou visitado por um sentimento mais negro que a mais negra melancolia – o desprezo pelos homens. Que não haja qualquer dúvida sobre o que desprezo, sobre quem desprezo: é o homem de hoje, do qual desgraçadamente sou contemporâneo. O homem de hoje – seu hálito podre me asfixia!…
Em relação ao passado, como todos estudiosos, tenho muita tolerância, ou seja, um generoso autocontrole: com uma melancólica precaução atravesso milênios inteiros de mundo-manicômio, chamem isso de “cristianismo”, “fé cristã” ou “Igreja cristã”, como desejaram – tomo o cuidado de não responsabilizar a humanidade por sua demência.
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