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A Pedra Angular


“A pedra antiga, outrora rejeitada pelos construtores, veio a tornar-se a Pedra Angular, a Pedra da Fundação” (Jesus Cristo)


Prometi a mim mesmo, sem sucesso, que me absteria de escrever por uns tempos para sossegar meu coração e me adaptar, forçosamente, a uma nova ordem. Foi em vão, como já disse? E por quê? Guardar nossas ansiedades para nos mesmos quase nunca é saudável. Resolvi, então, continuar refletindo e postando…

Os construtores passam, as pedras são polidas, mas a Pedra Angular permanece a mesma. Os tempos correm velozes, os corações se alegram e sofrem, mas a Consciência persiste em seu trabalho de Iluminação, de harmonização com as Leis Universais.

Nossos Destinos se cruzam e se afastam, as Leis são cumpridas à nossa revelia, Deus continua sendo Deus não obstante nossos tolos conceitos acerca d’Ele. E nossa Alma prossegue em sua marcha, visando a nossa libertação da ignorância.

Como é triste não conhecermos os porquês daquilo que nos ocorre! Mas, estaríamos todos prontos a saber a Verdade, ou jogaríamos as pérolas aos porcos de nossa incredulidade? Não! Nada é por acaso, e nem um fio de cabelo nos cai da cabeça sem que seja contado!

 

A "Pedra" da Fundação

 

A Argamassa de meu sangue erige as paredes de meu Templo Interior. Dá sustentação ao Corpo de minhas provações. Mas a Pedra Angular de minha Alma, arrancada do Coração de Deus para sua glorificação, permanece impávida!

Os ventos das dores assolam nosso chão, mas nossa Fé na dureza da Pedra nos conforta, nos mantém cientes de nossa missão na Terra: vencer a ignorância, amar a Deus em todas as coisas e cumprir fielmente nosso Destino. Misericordioso é Deus que, cobrindo as faltas de seus filhos, lhes dá a Vida em plenitude de amor!

Tudo passa! Os ventos mudam, os construtores de nossos dias vêm e se vão, mas permanecem a Fé, a Esperança e o Amor! Permanecem para sempre, assim como as promessas relativas a esses três últimos pilares…

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Adoração sem sacrifícios, Amor sem cálculos


Texto inspirado no artigo Sete Tolices do Mundo (por Mahatma Gandhi), in O que é isso?

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Indolor deve ser a renúncia. É o que pensa todo ser humano. Ninguém se interessa por um “sacrifício” que venha a tolher suas conveniências pessoais. Poucos indivíduos ainda cogitam a possibilidade de se internar num claustro, sem sua carteira, sem ventilador, com peças de roupas que lhe sufoquem no verão ou que não lhe protejam do frio no inverno. Poucos ainda supõem deixar de lado seu egoísmo, sua vaidade, para adorar a um Deus que se manifeste no rosto coletivo, e não apenas aos seus próprios, diante do espelho.

Vejo que, hoje em dia, prestamos mais atenção às coisas subjetivas, impessoais, que as pessoas fazem do que nas próprias pessoas. Nos fixamos em cada ato que elas manifestam, em cada erro do irmão, em cada deslize do vizinho, em cada gafe do Presidente, enfim, em todas as imperfeições do que, propriamente, se fitar nos rostos, nos olhares, e toda flor de sentimentos que, por ai, podem ser expressos.

Por não prestarmos mais atenção às pessoas, fechamos nossos olhos. Ao menos, os desviamos  pra coisas menos luminosas. Nos trancamos em nós mesmos. As mesmas pessoas, não vendo reação por seus sorrisos, numa falta total de fé em si mesmas, ao não verem ecoados seus olhares, também baixam suas cabeças. Poucos olhares espontâneos prese nciamos atualmente, e os que flagramos, vez por outra, não demonstram mais compreensão, somente a mesquinharia dos que  se sentem pobres de  convívio, sentimentos, Amor e Realização.

Quando dizemos fazer algo em honra de Deus, de uma causa, de um ideal, nunca o realizamos para nós mesmos. Não adianta: digamos ser a Deus ou para que outros se apercebam, fazemos tudo ou para fazermos os outros felizes ou a nós mesmos, para nossa própria auto-satisfação. Não há o colocar-se no lugar do outro, no Tempo do outro; há o ser Herói, fazendo algo de grandioso e frutífero, ajudando o outro a salvar-se, e assim, adquirindo a esperança no próprio resgate, no próprio ressarcimento de seus esforços, para recuperar a identidade de si como estando em Todos. Afinal, pelo que dizem (e assim creio), Deus está  em Todos, todos d’Ele viemos e d’Ele fazemos parte…

Um dia, li em um livro, deveras famoso em nossos tempos, que:

O primeiro Caminho para chegar a Deus é a Oração; o segundo, a Alegria.

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Ora, toda oração é união com o Outro, é devoção ao Outro, é pedir pelo Outro, é compartilhar com o Outro. No rosto do Outro, feliz ou sofrido, encontramos o Sorriso de Deus. Olhar-se com olhar limpo, olhar o Outro com o Olhar da água, cristalino, também é uma Oração, é acercar-se de Deus no Outro. Olhemo-nos mais nos olhos!! Oremos!! O que mais nos revolta, por vezes, nas relações, é saber que nosso pior inimigo também é vindo do mesmo lugar, do Coração de Deus. Não é que nosso inimigo mereça nossa piedade ou intervenção, como algo imprescindível; nós é que, para nos considerarmos filhos de Deus, precisamos intervir por nossos iguais, olhar nos olhos do carrasco, lá no fundo, e o amar profundamente. Amar não é salvar somente o Outro; é salvar a nós mesmos, é como um náufrago achar uma tábua no meio do Oceano, é redimir toda a Humanidade num abraço interior. Se não somos todos irmãos, então somos todos órfãos, pois há um só Pai…

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O Amor é uma Ponte em mão-dupla entre os Corações.
O Amor é uma Ponte em mão-dupla entre os Corações.

A Alegria mais pura é aquela dada inadvertidamente, sem que possamos prever. Por isso, Jesus nos aconselhou que, quando alguém nos pedisse algo, que o déssemos sem pestanejar. Quando pensamos se vamos dar ou não, sempre avaliamos primeiro se nos vai faltar, se outros não quererão também, o que isso vai parecer, se há alguém olhando. Enfim, nosso egoísmo e nossa Razão irracional nos enchem de preocupações torturantes e nos tiram a alegria e a  surpresa que nos causam o sorriso gratuito de quem recebe algo de boa vontade. E essa Alegria só nos chega quando age o Coração. Esse é o dar sem querer receber; quando avaliamos algo, sempre fazemos alguma conta de Custo x Benefício. E Amor não se negocia, não se aposta, não se prevê, não se calcula.

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Como dizia Einstein, Deus não joga dados. Simplesmente, o Amor acontece. Esse é o Grande Milagre: o Amor acontecer à nossa revelia, a despeito de nossa mania de pretender controlar tudo, quando não conseguimos, sequer, evitar um mero resfriado!!