Todo dia é Dia de Finados


O aniversário de minha Mãe cai no dia de Finados. Ou seja, nesse dia, lembra-se, segundo a Tradição Católica, aqueles que já tiveram um fim, que partiram dessa para uma muito melhor (sempre esperamos por isso). Vai bem longe ainda, mas aproveito, descontraio e rio com ela, teço alguma piada não muito engraçada (para não ser inconveniente).

Mas, penso que Dia de Finados é todo dia.

Ano Novo, Dia Novo!!


Nesse reveillon, passado à beira da praia, na Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú, SC, me lembrei de umas conversas que tive com amigos ao decorrer desse ano. Hora da virada de ano é sempre hora de reflexões, gravidade de pensamentos, alegria e entusiasmo em prometermos coisas a nós mesmos. E em meio a essas reflexões, me recordei de algumas relativas justamente à passagem de ano.

Eu sempre, para fazer minhas análises de assuntos complexos, recorri a um artifício dos antigos gregos: a analogia. A analogia utiliza de comparações entre detalhes de coisas diminutas e corriqueiras de nossas vidas e do que temos ao nosso redor para tentar explicar coisas sobre as quais pouco ou nenhuma percepção temos, coisas grandes, distantes, abstratas e quase imponderáveis à nossa compreensão.

Com relação à contagem de tempo, verificamos que todos os indicadores de tempo são divisíveis por seis. Então, com essa relação à frente, me perguntava: por que não poderia eu relacionar um ciclo de um dia com um de um ano??

O dia tem quatro períodos, manhã, tarde, noite e madrugada. O ano tem a primavera, verão, outono e inverno.

O dia nasce e começamos um novo período de trabalho, pela manhã. À tarde, geralmente temos um período mais árduo de atividades. À noite, chegamos em casa e avaliamos já o que teremos de descansar para o próximo dia. Pela madrugada, descansamos, hibernamos em nossos cobertores, esperando um novo ciclo de vida nascer. O mesmo ocorre com a Natureza, respectivamente, durante a primavera, verão, outono e inverno.

A cada virada de ano, para o Ano Novo fazemos promessas, nos reconciliamos (às vezes, só aparentemente) conosco mesmos e com os outros, enfim, festejamos. Mas, se olharmos para os nossos dias, será que fazemos o mesmo?? Ou será que não fazemos tudo sempre igual?? A soma dos dias em fazermos as coisas melhores que nos dias anteriores nos dirá se realmente estamos vivendo anos melhores que os que passaram. Como podemos dizer que temos anos novos, se nossos dias, em seu somatório, estiverem sendo os mesmos de antes, se não estivermos tendo dias novos??

Se nossos dias estiverem sendo iguais sempre, sem novidade, sem melhoras efetivas, sem esforços valentes, então estaremos deixando passar as horas de nossa vida (as horas grandes, ou seja, os anos) sem novidade, sem renovação.

Pessoas assim, e eu poderia algumas vezes me incluir entre elas, vivem suas horas-grandes (anos) da mesma forma, apenas por viver. Façamos de cada dia um dia novo, e estaremos fazendo de cada ano, um ano novo, de verdade!!

Lembremos: 60 segundos, 60 minutos, 24 horas, 30 dias, 12 meses. Um ano é igual a 365 anos pequenos.

Feliz Dia Novo, Feliz Ano Novo!!

Bom Dia, Bom Ano também!!

O Natal no século XXI


O Natal, nas várias culturas em que ele é inserido, e mesmo entre os ateus (por assimilação), é a comemoração do nascimento do Menino Jesus, que viria a ser o personagem que mais influência teve (e ainda tem) nos negócios terrenos.  Essa festa celebra alguém que deveria nos fazer ver o quão divinos poderíamos nos manifestar, mesmo com a maior simplicidade, nos tornando mais humanos.

Na verdade, a palavra Natal tem tudo a ver com humanidade. A palavra coletiva humanidade significa o conjunto dos seres “humanos”, ou seja, que vieram ou foram criados do “humus” da terra. Humus, em latim, significa limo da terra, lodo, barro. Mesmo vindo de tão simples elemento, tal como o barro, nós alcançaríamos um refinamento espiritual divino, simplesmente se vivêssemos as coisas simples, se voltássemos a viver como crianças. Isto não significa ser inconsequente; significa ter Fé.

Ter Fé, na minha visão, não é a capacidade de crer que coisas impossíveis possam vir a se realizar. É crer que todas as coisas são possíveis, se apenas as concebermos em nossos corações e mentes. Em algum lugar, em algum tempo, aquelas coisas, aparentemente inviáveis, já estão criadas. Precisamos apenas alimentá-las com a Fé. Se outro pessoa se junta a nós na mesma tarefa de alimentar um sonho, tudo passa a ser duplamente provável. E assim por diante…

Sou ainda do tempo em que colocávamos meias para o Papai Noel e o espreitávamos atrás do sofá, enquanto minha mãe já assoviava, dormindo no mesmo sofá. Eu já sabia que o Papai Noel não existia fisicamente. Eu dizia para minha mãe que só acreditaria nisso no dia em que alguém vestido de Papai Noel aparecesse com a carteira de identidade de Papai Noel, tendo nascido na Lapônia.

Mas, de que importava mesmo se ele existia ou não?? Na minha ingenuidade e fé, na minha persistência, acreditava que todo aquele ritual de Fim de Ano poderia me trazer aquilo que eu desejava. E trouxe muitas vezes!! E é por essa crença de criança, crença na obtenção do que se sonha, que o Papai Noel se instalou. E essa ligação do Papai Noel não se acabará enquanto houver quem sonhe em encontrar presentes no fim de ano. E mais do que presentes, sonhos realizados.

Há séculos atrás, os tais sonhos eram cercados de superstições. A celebração do Natal era quase uma lenda. O Natal dos Nobres consistia em um “santo” banquete. Fazia-se tréguas nas guerras, durante o período natalino, que geralmente eram respeitadas. O Natal dos pobres resumia-se em alguma esmola mais substancial de pão por parte dos nobres. Comia-se e agradecia-se. Era mais um ano que haveria de nascer, mais um ano em que deveriam suportar o castigo de nascerem pobres.

Hoje em dia, os presépios são, para muitos, obrigatórios. Há quem diga que, sem presépio, o Menino Jesus não nascerá!! Praticamente todas as propagandas aludem a tudo que se possa imaginar, menos ao Menino Jesus. O consumismo é, e já o sabemos todos, a tônica do Natal contemporâneo. É o materialismo fincando sua bandeira ridículamente decorada nos corações que deveriam ser fertilizados pela caridade.

“Quero primeiro o meu presente, a mim que já tenho tudo, e depois vejo se sobra algo da Ceia para o mendigo chato lá no portão!! Se ele demorar a passar, o Spike (cão criado guloso) ficará com os dois panettones que talvez sobrem!!”

É sempre assim: a caridade incomoda, nos estimula à ação, a sair da mesmice, a arregaçar as mangas daquela camisa nova (que nunca pode ser suja) e fazer algo que promova a doação do melhor de si. Todos querem tudo para si. Querem a eles próprios só para si e para aquilo do que têm a ilusão de possuir.

Que não esperemos pelo Natal para vermos a planta nascida!! Semeemos durante o Ano Todo, com esmero, com honestidade aos nossos sentimentos, com constância!! Os sonhos não nascem da noite para o dia, a criança nâo vem à Luz com o piscar dos olhos. A Glória da Mãe está na Concepção, e pelo que passa ao embalar o sonho em seu ventre. É assim com nossos sonhos. O melhor da Festa é esperar por ela!!

Que esse Natal do Cristo em nosso Coração seja uma jornada aos sonhos desde a concepção destes!!

Que não nos prendamos ao aparente, mas ao essencial à Vida. Pois esta sim, esta passa, e o aparente nos prende!!


Ebrael Shaddai.