Mulheres: entre a vaidade e o amor próprio


Por uma amiga carioca que eu adoro e que está triste.

Vejo homens por aí fazendo amigas minhas se apaixonarem por eles e depois sumirem mais rapidamente que vírus da Gripe A. E o que me deixa mais triste: constato que elas sentem falta dos elogios escorregadios deles.

Um homem que não é capaz de provar o que fala, faz melhor se ficar calado. Se um homem fala que uma mulher é linda e não é capaz de demonstrar isso por a+b (fazê-la sentir isso de forma inequívoca e eficaz), é melhor que nem se manifeste.

Se o homem (?) não é capaz disso, então o resto é verborragia, pedantismo ou falsidade — sendo estas três coisas seguramente descartáveis para uma mulher que nutra o mínimo de seu amor-próprio e cujo orgulho ainda esteja vivo. A mulher que se satisfaz com vaidade ou afagos ao ego, está pedindo pra ser enganada ou iludida.
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Mulher, você não precisa que um inútil lhe repita o que é óbvio! Garanto que um papagaio é bem mais sincero e não some com tanta facilidade.
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Ei, você aí! Você mesmo, homem-mosca (aquele que põe ovos e some): assuma o que fala ou, então, desapareça! Não esqueça: a fila anda e não suporta mala!

Enfim, vida inteligente na Terra…


Vida inteligente na Terra
Fonte da imagem: http://artepapaxibe.files.wordpress.com/2011/04/vida-inteligente-na-terra.jpg

 

P.S.: Esta imagem foi ligeiramente editada por este blogueiro infame para completar o sentido do drama atual do planeta. O Autor da imagem é Janilson Souza e o link na legenda é da fonte da qual salvei a imagem.

Doce amargo


Hoje, como em muitas outras noites, contei meus dias. Estão diminuindo em sua duração, é claro. Já não têm a duração das peladas eternas em campos de várzea, das tardes passadas sob os arbustos da Praça 7 de Setembro, em Palhoça. Hoje, vivo uma noite singular de um dia encurtado pelas preocupações sufocantes, dentre raros prazeres ou devaneios descompromissados.

Dizem os ascetas cristãos que o sofrimento nos liberta a alma. Eu digo que a Liberdade traz o sofrimento primordial de ver desvanecer-se parte de sua personalidade, justamente a parte oferecida em sacrifício pela disciplina da Vontade, que nada mais é que um desejo  tornado consciente e maduro. A Vontade confirma-se apenas por atos. Nossos atos, a despeito de nossa ascendência (ou não) sobre eles, nos carregam com a insígnia de nosso Nome. Assim, Deus dizia dos que lhe conheciam pelo Seu Nome, ou seja, pelos que viram manifesta sua Vontade em Atos. Ou seria Atos que representariam sua Vontade?

Nem sempre nossos Atos representam nossa Vontade. Muitas vezes, eles representam uma contingência do que deve ser nossa Vontade dirigida a uma adequação circunstancial. É uma tal compulsão pela conformação das coisas, e de nós mesmos, a uma necessidade de harmonia que jamais conhecemos de fato, apenas intuindo-a. Somos seres essencialmente instáveis e, por isso, suscetíveis ao vislumbre de miragens ideais.

Sinto hoje o tom envelhecido das frutas da estação, ao cair do outono da Vida. Sinto aquela vontade de retornar ao abrigo do ventre materno. A lagarta é duas vezes ela mesma ao tornar-se borboleta, já imiscuída à Liberdade solitária do ser adulto, ao sofrimento em meio à separação do desejo protegido pelo casulo, sujeita às degenerações do Tempo que corre, livre às vistas, com as folhas amarelas a preencher os terrenos baldios. Há épocas em que não voamos mais em direção ao néctar, mas ao alimento.

Essa Liberdade já não é mais facultativa, mas, então, compulsória. A sandice não cai em nada como romper cadeias, mas em  habitá-las. O estímulo não é mais natural, e sim conduzido, como numa dança desesperada pela chuva de minutos no sertão. A tensão não emana do ar do vento norte, trazendo tempestades espetaculares, mas somente de tremores da bílis, conduzindo mal-estar aos quatro cantos do leito abdominal. Motivos esparsos, adormecidos, eivados de ideias persistentes e obsessivas, surpreende-nos a cada minuto pelas vielas por entre as casas, subidas e descidas, perscrutam as lajes e esbarram em gatos assustados.

Os olhos vigilantes de nossa Liberdade marcial decreta-nos soluções para um século de Paz, mas não tira o peso de cada tarde de Guerra Fria nas tardes de sábado. Eternidade é a velocidade dos sentidos por segundo ao quadrado. Eis a fórmula a qual Einstein não descrevera, a quadratura de nossos Círculos, a evolução de um Conceito e a explicação do motivo de aquilo que nos é doce, às vezes, nos parecer tão amargo, e/ou vice-versa.