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Felicidade como realidade duradoura


Felicidade não é algo constante, durável, perene. A ilusão de uma felicidade sem fim, ininterrupta, de um mar de rosas, é cruel, por vezes. A doçura de tal ilusão é atroz e cortante, traumática mesmo. Assim, podemos dizer que, quando nos lembramos dos “momentos felizes”, queremos dizer que nos apegamos aos “bons” traumas, como tatuagens em carne viva. A primeira e grande amizade, os festejos de Natal ao redor de uma mesa ou de um presépio, o primeiro beijo no qual nos reconciliamos ao grupo dos adultos que invejávamos, a bronca do professor que te fez aprender definitivamente a deixar de ser malandro na escola. Enfim, os traumas nos fazem humanos. Quando sentimos dor, então sabemos que estamos vivos (ainda).

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Pensamento dos animais (2)


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Estava eu cá pensando (não sou um gato de verdade, mas um holograma deles): agora posso formular a hipótese de que os animais de algumas espécies, ao menos aquelas com cérebro mais desenvolvido, realmente pensam. Só não conseguem pensar como nós por um motivo principal: eles não falam, não têm uma linguagem sobre a qual possam reverberar seu pensamento.

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Cristália e a busca por contatos


O fim de semana nos traz duas coisas, entre outras: descanso e a tentativa, ainda que inútil, de se livrar das preocupações, dos problemas, estresses e da ansiedade. Normal! Ou não?

Sim, no início da próxima semana de trabalho, não vou querer me concentrar. Ao contrário, vou buscar a dispersão, perseguir o relaxamento e voltar às origens, irrompendo em meio ao Oceano de sonhos. Quem sabe, eu logre alcançar a boa praia de uma tal ilha deserta, à qual costumo chamar de Cristália, uma terra perdida no canto de minhas memórias de adolescente tardio, onde os raios do Sol se refletem nas calmas águas da enseada como que perpassando um prisma. Sim, minha memória é tal qual essa taça transbordante de cristal genuíno e translúcido.