O Portador da Promessa


Os anos passam e todos nós, se não mudamos, temos de nos adaptar à vibração dos anos. Nossos nervos se adaptam às porradas da Vida e, assim, a abordagem que fazemos às curvas do Caminho vai se modificando. Não permitimos que nossa essência se dilua diante dos desafios, mas ela deve continuar seguindo o melhor Caminho, ainda que fluindo como as águas de um rio ou irrompendo como meteoro pelos Céus. O Caminho tem sempre seus pontos altos e baixos, sejam eles acentuados ou suaves.

Quem me acompanha desde o início deste blog talvez se lembre dos motivos de eu ter adotado esse nick, Ebrael. Foi para, ao mesmo tempo, funcionar como “amuleto” e pseudônimo, já que não gostava de assinar minhas poesias e relatos com meu nome de batismo. Paralelamente, o título do site, DIES IRÆ (em lat., “Dia da Ira”), que é o título de uma obra sacra do séc. XIII, funcionou como sinalizador do espírito do que viria a ser escrito aqui.

No entanto, visando acompanhar a evolução natural da Vida e consoante as peças que a mesma me pregou até hoje, acho por bem modificar o nome que está à porta desta “casa” virtual. Esta não perderá seu caráter ácido, inerente ao espírito daquele que dela cuida, mas deixará de lado a impessoalidade aparente para assumir, de uma vez, a personalidade de quem vos fala. A partir de hoje, pois, esta “casa” será do “Portador da Promessa”.

Mas, qual é o motivo por qual é atribuído este título ao site?

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Nossa Senhora “Dice” Aparecida??


Eu tenho visto de tudo na Igreja (pós-conciliar) nesses meus quase 33 anos de vida. Soube de mártires da Fé sendo trucidados no Oriente Médio em nome da liberdade religiosa e “católicas” se mobilizando pelo “direito” de assassinar seus bebês inocentes na barriga. Vi um pontífice chorar por seu sequestro por maçons, ávidos por poder, dentro da Cúria e outros se refestelando na apostasia mais crassa. Emocionei-me com discursos memoráveis de alguns simples católicos e presenciei bispos (!!!) profanando o Altar da Eucaristia com ritos pagãos estranhos à Fé cristã, da qual deram testemunho tantos cristãos, com seu sangue, para afastar o espírito imundo do Paganismo.

Mas, agora que temos um (anti-) papa claramente herege, e com apoio dos baba-ovos dos fieis “católicos”, que veem nele o aval para seus desregramentos e vícios, nada mais me surpreende. Nada me surpreenderá, nada que venha da CNBB e dos apóstatas que traíram o Evangelho e se aliaram aos que odeiam a Igreja. Nada me espantará e tudo dessa súcia se pode esperar, já que não demonstram mais nenhum pudor quando tratam de escancarar, para insulto da memória dos mártires, sua traição apostática.

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Em um dos dias em que se realizava a novena preparatória para a Festa de Nossa Senhora Aparecida, trouxeram perante o Altar a imagem de Nossa Senhora (Aparecida) em procissão, seguida pela imagem de Dice, deusa pagã filha de Zeus, o ídolo principal da religião grega.

Preciso dizer algo mais? Vão vir, claro, os bombeiros relativistas de plantão com aquela conversa: “Ah, mas é apenas um símbolo, que representa a Justiça, querendo significar que pedimos ‘justiça’ a Deus, através da intercessão de Nossa Senhora.” Ora, é uma clara provocação do “Clero” marxista, debochado, infame, apóstata, que não perde tempo para zombar da ortodoxia católica. É esse o ecumenismo e o diálogo que querem?

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Fonte: site do IPCO.

Lúcifer e o mito de Prometeu


Aqui, mais um assunto indigesto para muitos dos meus leitores, e até mesmo sacrílego para alguns que aqui chegarem pela primeira vez. Outros, e eu sei disso, se escandalizarão.

O tema de hoje é um dos que mais me intriga até hoje em meus estudos e leituras internet afora. Lúcifer é o tema. Neste post, outras opiniões minhas e re-abordagem de alguns posts antigos.

Esse é um dos personagens mais temidos da história da humanidade, cuja descrição horripilante se enriqueceu de detalhes, cada vez mais sórdidos, com o passar dos séculos. Mas qual a origem do mito de Lúcifer, criado pela Igreja??

Os cristãos apelam para a tradução da Bíblia Vulgata, do século IV, feita do hebraico para o latim, que citando um texto de Isaías, vêem a alusão ao Anjo caído que teria desafiado a Deus, embora o texto, em estilo poético, se refira claramente, segundo o contexto, a um rei da Babilônia. O texto de Isaías, em que se basearam os exegetas cristãos para a criação do Diabo é o seguinte:

Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! [como] foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!

 E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao éu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte.   

 
 

 

 

Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. 

(Isaías 14: 12-14)

As expressões estrela da manhã e filho da alva, em hebraico Helel Ben-Shahar (“o Brilhante Filho da Aurora”), foram traduzidas para o Latim como Lúcifer, ou Aquele que traz a Luz. Em hebraico, era a forma poética de se referir a Vênus, o planeta brilhante que aparecia antes do Sol nascer no leste, e que parecia “trazer” a Luz, ou anunciá-la. O profeta Isaías se referiu, de forma irônica, a um rei babilônico e sua soberba, usando essa expressão.

Os cristãos levaram em conta, decisivamente, para formular sua teoria de Diabo-Lúcifer, apenas essa passagem. Pois, a rigor, não há nenhum texto que aluda explicitamente à Lúcifer como rei do Inferno. Repito, a rigor, apenas uma metáfora é usada como instrumento de intimidação dos fiéis. É uma doutrina dualista, que separa tudo em bem e mal, em luz e sombra irreconciliáveis, que torna cada ato humano passível de condenação eterna. Uma vida com medo dum Inferno que eles nunca viram e nem podem assgurar que exista realmente. E essa vida de medos, na minha opinião, não é a vida livre que Jesus disse que a Verdade nos traria. Acorrentados a dogmas e a leis. Uma vida sem indulgências, em que o único perdão possível consiste na adesão e confissão numa das milhares denominações cristãs que alegam, cada uma a seu modo, ter o “ministério” de Cristo. Jesus não nos livrou do pecado. Ele nos livrou da culpa do pecado, do pecado que não existe.  O inferno não existe, e há muito tempo a Igreja deixou de considerar o Inferno como um local para clamá-lo como o estado de afastamento de Deus. Sendo assim, o inferno pode ser aqui ou ali, pode estar dentro de mim ou de você. O inferno é aqui e o Paraíso também.

Mas, voltando ao assunto…sim, há muitos outros mitos que se referem a Lúcifer, metaforicamente, em culturas como a grega. Nesta última, Lúcifer é claramente identificado no mito de Prometeu, o titã que, por amor aos homens, roubou o fogo da sabedoria dos deuses do Olimpo.

Assim, como Prometeu, não tem a aparência hedionda que acabou incorporando na Idade Média, criada pelas mentes doentias dos teólogos cristãos, e alimentada pelas mentes ainda mais degenradas dos fiéis supersticiosos. Como Prometeu era um homem, um gigante, que por querer livrar a humanidade ingênua e ignorante da soberba dos céus, arriscou-se a trazer a Sabedoria e a Inteligência aos mortais, que mais não precisariam acreditar em tudo, sem o direito de questionar.

Prometeu, acorrentado a uma rocha, por ordem de Zeus, tem seu fígado devorado por um abutre duariamente.

Pintura de Elsie Russel, “Prometheus”. 1994. 

Então Zeus teria se irado contra Prometeu, e o acorrentado a uma rocha, na qual teria seu fígado devorado todos os dias por um abutre, e em seguida regenerado para que o tormento se repetisse por todos os dias. Hércules o teria libertado posteriormente. Por vingança, Zeus, o Rei do Céu, ainda teria enviado Pandora, com a caixa que traria todos os males atuais da humanidade. É a Lei do equilíbrio: um benefício corrsponde a um obstáculo, uma oposição, enviada do Céu. Isso me lembra Jesus falando que “viu Satanás (Opositor) caindo do céu como um raio”.

Outra coisa que não é verdade. Se existissem mesmo, Lúcifer e Satanás não seriam a mesma entidade ou força. Não há absolutamente nada na Bíblia que justifique essa crença cristã. Inclusive, em um post anterior, eu disse que Jesus, na primeira versão da Bíblia em latim (séc. IV) também foi chamado de Lúcifer. A passagem é na 2ª carta de Pedro, cap. 1, vers. 19, se referindo a Jesus:

et habemus firmiorem propheticum sermonem cui bene facitis adtendentes quasi lucernae lucenti in caliginoso loco donec dies inlucescat et lucifer oriatur in cordibus vestris.  

 

 

E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos como a uma luz <lume> que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da manhã apareça <saia> em vossos corações.

É do mito de Prometeu, inserido nas antigas culturas pré-cristãs, que surge a idéia de um rebelado como opositor dos deuses. E o próprio significado do nome de Prometeu já pressupõe seu estado de sabedoria (“Aquele vê adiante”, “Aquele que pensa antes”).

Segundo o mito, sob a autorização de Zeus, Prometeu e seu irmão, Epimeteu, vieram para povoar a terra. Me lembro daquela passagem do Gênesis: “Quando a humanidade começou a ser mais numerosa na terra e foram nascendo mais mulheres, os Filhos de Deus viram que estas eram belas e cada um deles escolheu para sua mulher aquela que mais lhe agradou. […] Havia então na terra os gigantes (Titãs) e continuaram depois a existir. É que os Filhos de Deus tinham casado com as filhas dos homens e tinham gerado filhos. Foram estes os famosos heróis dos tempos antigos.” (Gn, 6, 1-4).

Uma última questão prende-se com a criação dos seres humanos por Prometeu-Lucífer, apenas aflorada anteriormente. Lúcifer é aqui equiparado ao Demiurgo gnóstico só no sentido em que, não sendo o verdadeiro Deus, é um criador também. Segundo um os Três Livros de Enoque, bisavô de Moisés, (estes livros, não pertencendo ao cânon, foram citados e reconhecidos como inspirados por vários Pais da Igreja), Deus escolhera um grupo de anjos específicos (os quais, posteriormente, cairiam) para auxiliar na construção do Éden. A narrativa descreve como se apaixonaram pelas mulheres e lhes geraram prole, razão pela qual, segundo o autor teriam sido expulsos.

Prometeu, desde o início, elevou os homens à condição de Deus, dando-lhes o saber (do qual o fogo, em última análise, mais não é que, enquanto luz (Iluminismo), uma metáfora), o que incendiu tanto a ira de Zeus. Aqui, vemos, obviamente paralelismos bíblicos, com a Árvore do Conhecimento que Deus proibiu Eva e Adão de comerem. Mas a Serpente-Lúcifer-Prometeu dá a maçã aos homens, trazendo-lhes o conhecimento, o qual, inevitavelmente, traz sofrimento, quer ao tentador, quer aos tentados. É isso que nos diz não só o relato do Génesis, mas também o mito grego, quando, por um lado, Prometeu é agrilhoado no Cáucaso, por outro, Pandora desce à terra com os males do mundo e os liberta, punindo a nossa raça. Uma outra vez, reforça-se a ligação Lúcifer-Prometeu.

 

  Leia mais: http://ars-scientia.blogspot.com/2006/07/prometeu-lcifer.html