Muito mais do que pó


Iludimo-nos com tão vãs filosofias e com baixos conceitos acerca do Universo, tão medíocres quanto infantis. Procuramos as causas de nossa existência não pelos efeitos físicos que personificamos em nossos corpos de carne, mas fustigados pelo destino dos mesmos, confundindo-nos com o limo de Adão, com a areia dos cemitérios e com o pó das ossadas. Mas, acaso, será mesmo que não somos mais do que pó?

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Castelos de areia


As imagens não são permanentes. Elas são como vapores trabalhados pela mente. Porém, essa noção é desconcertante. Estamos aqui, encarnados no Mundo, buscando edificar imagens permanentes (projeções) para descobrir, enfim, que elas se desfazem. No mínimo, poderíamos dizer que são frágeis como dentes-de-leão. O vento favorece sua formação, dá-lhe o toque delicado e, enfim, sacrifica sua imagem, desfolheando-os.

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O pensamento humano é linear ou cíclico?


Uma pergunta simples: conhecendo as causas de algo, saberíamos, inevitavelmente, quais seriam seus efeitos?

A resposta parece ser óbvia, segundo a lógica. Numa abordagem linear da realidade, é natural que respondamos que sim, conhecendo a origem de um fato, poderemos deduzir seus prováveis desdobramentos. Repetindo: essa resposta vale para um contexto linear, ou seja,  pancada-dor,  1 + 1 = 2, etc.

Poderíamos, no entanto, fazer outra pergunta: por que contextos tão óbvios recebem interpretação diversa ou são percebidos de formas divergentes por diferentes observadores? Acaso, se eu somar a uma laranja que eu tenha uma outra laranja, terei um número de laranjas diferente de dois?

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Os olhos governados pela Vontade


Quando queremos algo, verdadeiramente, queremos com fogo nos olhos!

A pessoa que quer algo, que é alguém de querer-querer, faz cara de mal para afugentar os maus espíritos, cara de quem exige respeito e ameaça o Destino que tenta nos impedir de prosseguir. Quem quer algo, arromba a porta, depois é que pergunta de quem é a casa. Não pede licença, senta e pede almoço. Levanta e prepara o jantar. Espanta os ratos e baratas com seus passos e faz recuar o Cão raivoso com seu grito viril.

Os olhos daquele que deseja algo são como brasas vivas. Suas lágrimas não apagam as chamas, mas atiçam-nas ainda mais. Suas veias pulsam no ritmo estranho que a Vida nos impõe ao nos perpassar os nervos, senão fortes, mas ainda conectados ao Destino. Sim, o Destino é uma estrada ameaçadora, própria daqueles que têm vontade de correr. Andar é para quem tem tempo. Nós, os desejosos, não temos tempo a perder, sendo gigantes valentes ou pequenas borboletas.

Algumas pessoas confundem ser amigo do Destino com ser-lhe escravo. Não devemos ser, sob qualquer circunstância, escravos indolentes das contingências. Fazemos ajustes, nos acomodamos às contingências, e seguimos. Mas, lembremos: somos nós que estamos no leme. Deus é nosso Farol, não o Timoneiro. Ele nos orienta, mas não faz nosso trabalho. Não sejamos escravos nem permaneçamos à deriva para sempre. Sejamos nós os amigos de Deus, não seus soldadinhos de chumbo.

Mars et La Petite.

(Os créditos vão para La Petite Muse Flamboyante, que me visita sempre quando estou em situações críticas.)