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Minhas Poesias

Entre as névoas


Entre as névoas da noite escura,
Voa o pássaro negro da pedra dura,
Mais funda, túrgida, nada tênue.
Cinge-me o véu de Nuit, insone.
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Crônicas

Sobre dizer adeus


Dizer adeus, de súbito, é algo desagradável, traumático, por si só. E, acaso, nos prepararmos para isso, diante de quem amamos, do trabalho que abraçamos, é menos triste?

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Castelos de areia


As imagens não são permanentes. Elas são como vapores trabalhados pela mente. Porém, essa noção é desconcertante. Estamos aqui, encarnados no Mundo, buscando edificar imagens permanentes (projeções) para descobrir, enfim, que elas se desfazem. No mínimo, poderíamos dizer que são frágeis como dentes-de-leão. O vento favorece sua formação, dá-lhe o toque delicado e, enfim, sacrifica sua imagem, desfolheando-os.

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Meu último leito


Não nos damos conta, mas morremos, de certa forma, ao fim de todas as noites. Vinte e quatro horas de um ciclo que parece, por vezes, não ter fim. Cansamos do dia, cansamos da vida que levamos. A vida pesa; corpo e mente sofrem. A Natureza vem e nos concede um recover para os membros, para os olhos. Dormimos. Milhões de vidas celulares repousam, alguns para acordar no dia seguintes e outros para dar lugar às novas vidas.