Deus e os bêbados


Dia desses, resolvi entrar em alguns grupos (no Facebook) que promovem o que teimam em chamar de debates “filosóficos”. Eis que são espaços ótimos pra verificar como nós, seres humanos, somos frágeis, ingênuos e orgulhosos, e tudo pela mesma receita.

Boa parte desses “debates” começa bem: ao invés discutirem a existência do Saci, os poderes do Gênio da lâmpada ou a eficácia do Paracetamol, os debatedores resolvem discorrer sobre a (in-)existência de Deus e, se Este existir mesmo, sobre a sua mais primorosa obra, a Humanidade.

Adianta de algo falarmos que cada um tem uma visão diferente acerca da Vida e que, portanto, não cabe atacar a visão de outrem? Não, de nada adianta. O vazio no crânio do ser humano, tal qual bêbado universal, parece fazer mais barulho do que sua barriga. Drunkards are all around us! Os bêbados estão por toda parte.

Aliás, se trocarmos o mediador do debate por um dono de boteco, ninguém notará a diferença. Ambos os bebuns, sem terem mais o que fazer da vida, terminam a noite tentando provar, um para o outro, que Deus existe, ou não.

Percebendo que isso não muda o fato de estarem com a mente encharcada de cachaça e de medo, ambos se abraçam e vão chorando para casa. Um, porque Deus não se apresentou em pessoa e munido de documentos; outro, porque a cana acabou.

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